VITAS, o ensaio clínico pioneiro que pretende ajudar crianças com cancro

Nos Estados Unidos, investigadores do Southwestern Medical Center da Universidade do Texas irão dar início a um ensaio clínico multicêntrico para testar uma estratégia de tratamento dirigida a pacientes diagnosticados com cancro infantil.

Conhecido como VITAS – uma sigla de Vincristina, Irinotecano, Temozolomida e Atezolizumabe em Tumores Sólidos – o estudo, que mostrou resultados promissores em adultos, examinará os efeitos da combinação de vários agentes quimioterápicos com um medicamento imunoterápico em crianças com tumores sólidos cuja doença apresentou sinais de recidiva ou não mostrou uma resposta significativa após o tratamento inicial.

“A taxa de sobrevivência desta população é inaceitavelmente baixa e não melhorou em décadas”, disseram os cientistas.

“Sabemos que o sistema imunitário de um paciente tenta sempre combater as células cancerígenas, mas muitas vezes perde essa luta”, explicou Matthew Campbell, um dos médicos envolvidos na investigação.

“Ao aprimorarmos a imunoterapia com quimioterapia, apercebemo-nos da existência de uma estratégia que foi bem-sucedida em ensaios clínicos para adultos com cancro. Por isso, agora, queremos perceber se conseguimos atingir o mesmo sucesso em crianças”.

Matthew Campbell explicou que uma classe de imunoterapia, chamada inibidores de checkpoint, fez enormes progressos em vários tipos de cancro em adultos, prolongando dramaticamente a sobrevida, ao encorajar o sistema imunitário a combater tumores malignos.

Embora alguns tipos de cancro não respondam aos inibidores de checkpoint entregues como agentes únicos, os cientistas tiveram algum sucesso em combinar esses medicamentos com quimioterapias, o que torna os tumores alvos mais fáceis para o sistema imunitário.

“Apesar do avanço feito em adultos, esta estratégia ainda não foi testada em crianças com tumores sólidos, um grupo no qual a administração isolada de inibidores de checkpoint mostrou pouco sucesso”.

Para o estudo de fase I, que teve início neste mês de abril, os cientistas recrutaram 6 pacientes com tumores sólidos cujo tratamento inicial falhou. O estudo foi desenvolvido para testar a segurança da combinação de três agentes quimioterápicos comummente usados para tratar tumores sólidos com o inibidor de checkpoint Atezolizumab.

Se os médicos estabelecerem que essa terapia combinada é segura, o estudo será convertido num ensaio clínico de fase 2 para testar a eficácia desse regime em 17 crianças diagnosticadas com rabdomiossarcoma refratário ou com recidiva.

“O nosso objetivo é ver uma resposta ao tratamento em, pelo menos, metade desses pacientes”, disse Matthew Campbell.

“O que aprendermos com este ensaio clínico vai-nos ajudar a continuar a avançar e a garantir que mais crianças irão sobreviver a este tipo de cancro”.

Fonte: UT Southwestern Medical Center

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