“Vamos em frente”: a força de um sobrevivente que perdeu o filho

Stephen Mohan é um sobrevivente de cancro infantil.

Um lutador.

E o pai de uma criança que morreu de cancro.

Nada é mais difícil do que perder um filho, e quando, aos 5 meses de idade, o seu filho Jasper foi diagnosticado com o mesmo tipo de cancro que Stephen teve quando era criança, este homem quase que foi derrubado por um avassalador sentimento de culpa.

E, embora nada prepare uma pessoa para lidar com um diagnóstico de cancro de um filho, a batalha pessoal de Stephen contra a doença, bem como o amor incondicional que sentia pelo seu filho, deram-lhe a força para abraçar aquela situação com grande otimismo e esperança.

Stephen não se lembra de ter sido diagnosticado com cancro. Era apenas um bebé quando os meus disseram aos seus pais que o menino tinha retinoblastoma, um cancro ocular raro.

Na altura, este, agora adulto, foi tratado com altas doses de radioterapia e de quimioterapia que impediram as metástases, mas que não conseguiram que o jovem perdesse olho esquerdo aos 2 anos de idade.

Mas isso não impediu que Stephen tivesse uma vida cheia de experiências incríveis, que o fizeram conhecer o amor de sua vida, Barbra.

Desse amor, nasceu Jasper, o “bebé mais desejado do mundo”.

Apesar de ter recebido um diagnóstico de cancro quase no início da sua vida, Jasper teve uma infância fantástica.

Sempre rodeado de amigos, e com uma família que o adorava, Jasper é descrito como um rapaz inteligente, amável, carinhoso, capaz de se relacionar com qualquer pessoa, crianças e adultos.

Por várias vezes, Stephen e Barbra ouviam que o seu filho era o tipo de pessoa capaz de fazer a diferença no mundo. Para ele, todos os dias eram o início de uma nova aventura.

Jasper passou os últimos anos da sua infância em remissão.

Mas, já adolescente, foi detetado novamente um tumor na glândula pineal, atrás dos seus “lindos olhos”, como revela Stephen.

Mesmo com todos os tratamentos possíveis, a condição de Jasper piorou.

Até que chegou uma altura em que Stephen e Barbra não eram mais capazes de cuidar do seu filho sozinhos. Jasper necessitava de ajuda profissional que lhe controlasse a dor extenuante que sentia.

Como a cidade natal da família não tinha os serviços de saúde necessários, Jasper, Stephen e Barbra rumaram a Vancouver, no Canadá, onde o rapaz ficou internado no Canuck Place; lá, pôde receber todos os cuidados paliativos de que necessitava.

“Seguimos em frente, não havia outra opção. E assim criámos o nosso mantra, um simples ‘vamos em frente!’. Ao dividirmos a longa jornada do cancro em pequenos pedaços, conseguimos gerenciar melhor as nossas emoções. Concentrámo-nos nos sucessos diários, nas tarefas diárias, nos triunfos diários. Fizemos o mesmo com os contratempos e com obstáculos, e, desta forma, as coisas pareciam mais fáceis. Assim, independentemente de se o dia nos trouxesse coisas boas ou más, usámos o ‘vamos em frente’ e, efetivamente, tentávamos seguir em frente”.

O Canuck Place proporcionou a esta família o descanso necessário, um ambiente confortável e caseiro. Os médicos e enfermeiros administraram a crescente necessidade de Jasper de controlar a dor e os sintomas e prepararam Stephen e Barbra para os cuidados de que este jovem precisava naquele que seria o final da vida.

Infelizmente, a 10 de julho de 2013, com 15 anos de idade, Jasper Solo Mohan faleceu.

Hoje, quase 7 anos depois, Stephen ainda não conseguiu completar o luto.

“A dor não se foi. A perda não desaparece. A tristeza não para. Mas a luta também não terminou. Eu e a Barbra continuamos a lutar, já não pelo nosso filho, mas por todas as crianças que foram, e são, diagnosticadas com cancro. Pela memória do nosso filho”.

O mantra deste casal continua o mesmo.

“Vamos em frente. Sempre em frente.”

Fonte: Times Colonist

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