Tumor de Wilms: investigadores tentam nova abordagem

O tumor de Wilms é o tipo mais comum de cancro renal em crianças.

Quase 90% das crianças com este tipo de cancro podem ser curadas com uma combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia; no entanto, em caso de recidiva, a dificuldade de tratamento aumenta.

Uma equipa, liderada pelo investigador Alex Kentsis, descobriu um biomarcador de resistência em crianças com tumor de Wilms. Os cientistas identificaram o biomarcador através de uma ferramenta recentemente desenvolvida para análise molecular chamada proteómica.

O estudo descobriu que uma proteína na urina de crianças com tumor de Wilms pode indicar a probabilidade de o cancro recidivar; se a proteína, intitulada proibitina, estiver presente em altos níveis no momento do diagnóstico, os tumores provavelmente desenvolverão resistência à quimioterapia.

“Este biomarcador vai ajudar-nos a saber, com antecedência, quais as crianças cuja terapia padrão curará o tumor de Wilms e quais crianças necessitam de tratamentos mais especializados”, explicaram os cientistas.

“Também descobrimos de que forma a proibitina causa resistência ao tratamento, o que deve ajudar no desenvolvimento de fármacos para bloquear esse efeito no tumor de Wilms e em outros tipos de cancro, muitos dos quais expressam em excesso a proibitina”.

Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Investigation Insight.

As descobertas são o resultado de uma colaboração entre o Sloan Kettering Institute, o Dana-Farber Cancer Institute, o Boston Children’s Hospital e o Children’s Oncology Group.

A equipa recolheu urina de crianças com vários tumores renais e de crianças saudáveis. Usando uma técnica avançada chamada proteómica de espectrometria de massa, que pode analisar milhares de proteínas de uma vez, os cientistas procuraram, na urina, proteínas específicas associadas a certos tumores.

No início do processo, os investigadores descobriram que uma proteína chamada PGBD5 era um marcador de tumores rabdoides, um cancro infantil raro, mas muito agressivo. Isso levou a uma descoberta marcante: uma caraterística genética imprevista pode ser a causa de muitos cancros infantis.

O avanço também apontou para novas estratégias de tratamento para direcionar esse processo nas células cancerígenas.

Para o tumor de Wilms, os cientistas esperavam encontrar o melhor biomarcador para que pudessem adaptar precisamente o tratamento para indivíduos e isolar alvos para melhorar a terapia.

Os investigadores procuraram por proteínas específicas que estão presentes em níveis elevados na urina de crianças com tumor de Wilms que havia recidivado após a cirurgia e quimioterapia.

“Depois de aprendermos sobre a importância da proibitina, quisemos entender exatamente como é que ela causava resistência ao tratamento nas células cancerígenas”, disseram os investigadores.

Michael Ortiz, oncologista pediátrico, confirmou através de experiências de laboratório que a proibitina é superexpressa nas células tumorais de Wilms.

Essa expressão é ainda maior em pessoas com doença avançada.

A proibitina é necessária para a sobrevivência e crescimento de células cancerígenas em resposta à quimioterapia. Normalmente, as células cancerígenas tratadas com quimioterapia morrem, mas altos níveis de proibitina interferem nesse processo, ajudando as células cancerígenas a sobreviver.

A proibitina também é superexpressa numa variedade de outros tumores sólidos. Em particular, uma investigação recente demonstrou a importância desta proteína em casos de neuroblastoma, outro tumor comum na infância que permanece difícil de tratar.

Os cientistas esperam que fármacos que visem altos níveis de proibitina melhorem as taxas de cura para pessoas com tumores de Wilms e outros tumores refratários.

Fonte: MSKCC

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