Tratamento para neuroblastoma pode aumentar probabilidade de diagnóstico de leucemia

Cientistas do Instituto Wellcome Sanger e da Universidade de Cambridge, ambos no Reino Unido, descobriram que, em algumas crianças diagnosticadas com neuroblastoma – um tipo de cancro que se desenvolve em células nervosas imaturas – o tratamento com quimioterapia de platina causou mudanças no genoma que poderiam vir a aumentar a probabilidade dessas crianças desenvolverem leucemia mais tarde na vida.

As descobertas, publicadas na revista Blood, podem permitir aos investigadores identificar quais as crianças que serão mais propensas a desenvolver um cancro secundário – por sua vez, isso pode levar a mudanças no plano de tratamento, de forma a que seja possível evitar esses riscos.

“A leucemia secundária é uma complicação muito desafiante derivada do tratamento para o neuroblastoma infantil”, começam por dizer os investigadores.

Todos os anos, cerca de 100 crianças no Reino Unido são diagnosticadas com neuroblastoma; aquelas que recebem tratamento para neuroblastoma de alto risco têm um risco aumentado de desenvolver leucemia numa fase posterior da sua vida.

O neuroblastoma geralmente requer tratamento intenso, incluindo vários medicamentos de quimioterapia. Esses poderosíssimos fármacos eliminam as células cancerígenas de forma muito eficaz, mas, infelizmente, também têm efeitos secundários, incluindo danos ao ADN de células saudáveis, como as células da medula óssea.

Em até 7% dos sobreviventes do neuroblastoma infantil, as células danificadas da medula óssea evoluem para uma leucemia secundária.

Nesta nova investigação, os cientistas sequenciaram os genomas inteiros da medula óssea e amostras de sangue de duas crianças que desenvolveram leucemia após tratamento de neuroblastoma de alto risco.

“Descobrimos que, e utilizando uma analogia bastante simples, as sementes da leucemia secundária foram plantadas pela quimioterapia utilizada no tratamento neuroblastoma. E isso aconteceu logo nas primeiras fases do tratamento”, explicou Sam Behjati, um dos cientistas envolvidos na investigação.

A equipa descobriu que, em ambos os pacientes, a leucemia apresentava mutações causadas pela quimioterapia.

Uma análise mais ampla de 17 crianças tratadas para uma variedade de cancros identificou outra criança que se havia submetido a um tratamento para o neuroblastoma e que, entretanto, havido desenvolvido células pré-leucémicas.

“Com esta investigação, acredito que, no futuro, será possível identificar crianças em maior risco de desenvolver leucemia secundária. Agora queremos continuar a investigar mais, e mais, para que também seja possível, numa fase inicial, desenvolvermos planos de tratamento eficazes que consigam reduzir o risco de leucemia secundária”.

No artigo publicado, os investigadores agradeceram o apoio e a contribuição dos doentes e das suas famílias, uma vez que, “sem eles, não seria possível chegarmos a estas conclusões”.

Contudo, os cientistas alertam que, embora o estudo estabeleça uma relação entre o tratamento para o neuroblastoma e um maior risco de os pacientes desenvolverem um cancro secundário, “é fundamental que as crianças com neuroblastoma de alto risco continuem a receber tratamentos intensos para que possam ficar curadas”.

Fonte: Eurekalert

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