Antraciclina e radioterapia aumentam risco de cancro da mama

Tratamentos como a quimioterapia e a radioterapia têm levado a que exista um número cada vez maior de sobreviventes; mas isso também levou a que houvesse uma maior consciencialização sobre os efeitos tardios desses mesmos tratamentos quando os pacientes atingem a idade adulta.

De acordo com pesquisas recentes publicadas na revista JAMA Pediatrics, pode haver uma associação entre raparigas que sobrevivem ao cancro infantil e a incidência de cancro da mama numa idade adulta; os cientistas acreditam que essa associação pode estar relacionada com o tratamento combinado de antraciclinas usadas na quimioterapia e, possivelmente, na radioterapia.

As antraciclinas são uma classe de fármacos quimioterápicos altamente tóxicos, porém altamente eficazes, derivadas da bactéria Streptomyces que estimulam a lise das células cancerígenas ao danificar o ADN das células; a radioterapia tem sido associada a um maior risco de cancro da mama positivo para recetores de estrogénio (ER +).

Devido à falta de um amplo conhecimento acerca dos efeitos decorrente deste tratamento combinado, os autores do estudo investigaram esta combinação de tratamento em pacientes do sexo feminino com cancro da mama que também tiveram cancro infantil.

Os cientistas usaram dados de 271 sobreviventes de cancro infantil do Childhood Cancer Survivor Study, um estudo em andamento do St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos. Essas sobreviventes tinham sido diagnosticadas com cancro da mama invasivo ou in situ, pelo menos, 5 anos após o seu primeiro diagnóstico de cancro.

No geral, comparado ao grupo de controlo, o linfoma de Hodgkin foi o diagnóstico de cancro infantil mais comum no grupo de pacientes e, para as pacientes com cancro da mama, houve uma maior probabilidade de leucemia ou sarcoma de tecidos moles entre aquelas com doença negativa de recetor de estrogénio (ER-).

Não é de surpreender que a probabilidade de cancro da mama tenha aumentado consoante um maior recurso à radioterapia. Curiosamente, ao considerar a exposição de radioterapia nos ovários durante o tratamento de cancro infantil, quanto maior a dose, menor a probabilidade de cancro da mama subsequente.

O uso de antraciclina também foi associado a um maior risco de cancro da mama.

Os dados mostraram que o risco de cancro da mama após a combinação de radioterapia e antraciclinas aumentou.

Os autores acreditam que é necessária uma investigação mais aprofundada, especialmente para as diferentes respostas entre pacientes com cancro da mama ER + e ER-.

Fonte: AJMC

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