Terapia dirigida a PD-L1 mostra-se segura em crianças e adolescentes

A imunoterapia dirigida ao PD-L1 foi considerada segura e tolerável em crianças e adolescentes com cancros tratados anteriormente; ainda assim, de acordo com um ensaio clínico de fase I e II, as respostas foram limitadas a pacientes com linfomas.

“Quatro dos 20 pacientes com linfoma avaliados responderam ao tratamento com nivolumabe (Opdivo), que incluiu uma resposta completa”, disseram os investigadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Ainda assim, um artigo publicado na revista The Lancet Oncology revela que o tratamento de agente único com o inibidor do ponto de verificação imune não teve qualquer efeito entre os 63 pacientes pediátricos com tumores sólidos, como sarcomas ósseos e de tecidos moles, neuroblastoma e melanoma.

“Estudos futuros que avaliem o nivolumabe, ou outros bloqueadores de PD-L1, isoladamente ou em combinação com outros imuno-moduladores, podem ser necessários em populações selecionadas de pacientes pediátricos com tumores sólidos, cujos tumores manifestem uma maior carga mutacional ou outros biomarcadores que forneçam evidências de aumento da imunogenicidade do tumor”.

O nível de expressão PD-L1 foi mais comum no subconjunto de pacientes com linfoma (94%) do que no subconjunto de tumores sólidos (15%).

Um dos 10 pacientes com linfoma não-Hodgkin respondeu positivamente ao tratamento, assim como três dos 10 pacientes com linfoma de Hodgkin.

“Apesar de termos observado alguma atividade, a taxa de resposta parece inferior à taxa geral de 66-87% de resposta relatada em adultos com linfoma de Hodgkin”, observaram os cientistas.

No futuro, os investigadores esperam poder estudar crianças com tumores de Wilms, tumores rabdoides malignos e tumores de células germinativas, que não estiveram representadas neste estudo.

“A maioria dos estudos em crianças que utilizam medicamentos desenvolvidos para adultos tendem a ter resultados negativos, porque a comunidade científica continua a não querer perceber que os tumores pediátricos são diferentes dos tumores de adultos”, comentaram Jaume Mora e Shakeel Modak, duas investigadores do Hospital Sant Joan de Déu e do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Espanha e Estados Unidos, respetivamente.

Segundo as cientistas, as malignidades pediátricas podem ser amplamente definidas como aquelas que ocorrem como consequência do complexo processo de crescimento fisiológico, decorrente das células estaminais embrionárias e do seu meio.

“Uma caraterística geral das neoplasias pediátricas é terem uma taxa extremamente baixa de mutação, mesmo para tumores metastáticos e mortais, nos quais uma única anomalia genética pode ser o único evento recorrente”.

Ainda assim, Jaume e Shakeel admitem que, em crianças com tumores decorrentes de mutações na linha germinativa em genes de reparo de incompatibilidade, a terapia dirigida ao PD-L1 pode ser tão eficaz quanto é em adultos.

“Conhecemos os casos de dois pacientes na pré-adolescência, com melanoma metastático e de alta carga de mutação tumoral, que tiveram respostas completas e positivas ao nivolumabe”.

Entre 2015 a 2018, o estudo multicêntrico do Children’s Oncology Group registou 85 pacientes pediátricos, com uma idade média de 14 anos; os tipos de tumor mais comuns foram osteossarcoma (15%), rabdomiossarcoma (14%), linfoma de Hodgkin (14%) e não-Hodgkin (12%), sarcoma de Ewing (13%) e neuroblastoma (6%), seguido por sarcoma epitelióide, sarcoma não especificado, sarcoma indiferenciado e melanoma (1-2% para cada).

Na fase I da parte de confirmação da dose do estudo, os pacientes receberam nivolumabe 3 mg / kg a cada 2 semanas. E sem toxicidades limitantes da dose ou reduções de dose, essa dose foi selecionada para a porção da fase II (na qual 7% apresentavam toxicidades limitantes da dose).

“A farmacocinética do medicamento em crianças foi semelhante à relatada em adultos que receberam a dose padrão de 240 mg a cada 14 dias”, concluíram os cientistas.

Entre os 85 pacientes avaliados, a toxicidade mais comum relacionada ao tratamento foi anemia (47%), seguida de fadiga (37%), diminuição do número de glóbulos brancos (32%), diminuição do número de linfócitos (29%) e diminuição do número de plaquetas (19%).

Efeitos secundários de grau 3/4 ocorreram em 36% por cento dos pacientes, sendo que a toxicidade hepática foi efeito mais comum relacionado ao sistema imunitário).

Fonte: MEDPage Today

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