Os benefícios da terapia de protões em tumores cerebrais

O tratamento com terapia de protões para pacientes com tumores cerebrais pediátricos está associado a melhores resultados neurocognitivos em comparação com a radioterapia.

Estas conclusões foram apresentadas no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia por Radiação (ASTRO) e no Encontro Anual da Sociedade Internacional de Neuro-oncologia Pediátrica.

Num estudo retrospetivo, investigadores da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, compararam os resultados de 125 pacientes pediátricos que receberam tratamento para tumores cerebrais.

Depois de contabilizados outros fatores numa análise multivariada, a terapia de protões foi associada a um maior desempenho em termos de QI em escala total (10,6 pontos a mais), velocidade de processamento (12,6 pontos a mais) e função prática relatada pelos pais (13,8 pontos) a mais em relação à radiação de raios-x.

Outros fatores significativos incluíram a idade do paciente, o recebimento da irradiação crânio-espinhal e a presença de hidrocefalia.

“O cérebro de uma criança é mais sensível à radiação. A radiação pode interromper as conexões que estão a ser formadas na massa branca e impedir o desenvolvimento normal do cérebro”, disse o autor do estudo, Jeffrey Paul Gross.

“Se formos capazes de poupar porções saudáveis do cérebro da radiação, existe um potencial para melhores resultados cognitivos a longo prazo”, clarificou.

Como funciona

Tal como o nome indica, a terapia de protões usa protões – partículas atómicas pesadas e carregadas positivamente – em vez dos raios X padrão usados na radioterapia convencional.

Os protões depositam grande parte de sua energia, ou dose, diretamente no tumor e depois param, enquanto a radiação convencional continua a depositar a dose para além do tumor.

“Com base nos perfis de dose de radiação, sempre acreditámos que as crianças com tumores cerebrais obteriam benefícios cognitivos pela terapia de protões, em relação à radioterapia convencional”, disseram os especialistas.

“Este estudo forneceu a nossa primeira, e mais convincente, prova clínica da importância de usar a terapia de protões para poupar o máximo de tecido cerebral normal possível.”

Os participantes do estudo receberam uma avaliação neuropsicológica adequada à idade de QI, velocidade de processamento, integração motora visual, função executiva, memória e função relatada pelos pais.

A mediana da idade do diagnóstico foi de sete anos e a mediana do tempo entre o tratamento e a última avaliação foi de quatro anos.

Os autores observaram que os pacientes que receberam a terapia de protões tiveram menor tempo médio de conclusão do tratamento até a última avaliação neuropsicológica. No entanto, ao aplicar abordagens estatísticas para explicar essas diferenças, os benefícios cognitivos da terapia de protões ainda foram observados.

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