Terapia com células CAR-T é eficaz sobretudo contra cancros sanguíneos 

Os tratamentos mais convencionais para o cancro são cirurgia, quimioterapia e radioterapia, mas novas abordagens estão a melhorar o prognóstico da doença. No caso dos tumores sanguíneos (com origem em células sanguíneas), os tratamentos com as chamadas células CAR-T podem ter resultados melhores do que os convencionais e aumentar as expetativas de sobrevida dos pacientes.

O CAR-T é uma terapia imunocelular, baseada nas células humanas e na sua capacidade imune, explica Marta Maria Moreira Lemos, coordenadora médica da área de hemoterapia e terapia celular do A. C. Camargo Cancer Center, no Brasil.

Mieloma múltiplo, leucemia linfoblástica aguda B (LLA-B) e alguns linfomas não-Hodgkin, que se disseminam de forma desordenada, podem responder bem ao tratamento.

Como se aplica a terapia com células CAR-T?

O tratamento tem início com a recolha de linfócitos T (células de defesa) do paciente. O material é enviado para um laboratório, onde é modificado geneticamente por meio de vírus que invadem os linfócitos e alteram o seu ADN para fazer com que se conectem às células tumorais para atacá-las e eliminá-las. Após esse processo, as células de defesa modificadas ficam em cultura, para que se multipliquem até atingirem uma quantidade suficiente para destruir as células doentes. Num período de até 60 dias, o processo resulta no produto final, que é encaminhado ao hospital e aplicado no paciente através de uma transfusão de sangue.

Antes de receber o tratamento imunocelular, o paciente é avaliado em consulta e discute-se a sua elegibilidade para receber esta terapia. Se o caso for compatível com o tratamento CAR-T, inicia-se o processo de recolha, produção e aplicação, seguido pela monitorização precoce e pelo acompanhamento a longo prazo, etapas em que o paciente fica internado para que uma equipa multidisciplinar observe os efeitos colaterais.

Se a equipa multidisciplinar identifica sintomas de eventos adversos precocemente, como a febre, é possível lidar bem com os possíveis efeitos colaterais, explicou, por sua vez, Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas do A. C. Camargo Cancer Center.

De acordo com o especialista, a terapia com CAR-T é eficaz principalmente para pacientes com mieloma múltiplo, leucemia linfoblástica aguda B (LLA-B), linfoma difuso de grandes células B e linfoma folicular que já fizeram outros tipos de tratamento, mas não tiveram boa resposta ou apresentaram recidiva.

Fonte: Yahoo Notícias

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