Terapia CAR-T: novos avanços diminuem efeitos secundários

Um avanço no tratamento inovador do cancro, conhecido como terapia de células CAR-T, parece ser capaz de eliminar os seus efeitos secundários mais graves, o que torna o tratamento mais seguro e potencialmente disponível em ambientes ambulatoriais.

Realizado pela Universidade da Califórnia, este estudo é um “avanço gigante na direção certa”, de acordo com os cientistas.

“Desenvolvemos uma nova molécula que é igualmente eficiente em eliminar células cancerígenas, mas funciona de forma mais lenta e com menos toxicidade”, disseram os investigadores num artigo publicado na revista Nature Medicine.

Esta versão melhorada da terapia CAR-T não produziu efeitos secundários graves em 25 pacientes com linfoma que sofreram uma recidiva após tratamentos anteriores.

Embora o estudo tenha sido projetado para avaliar a segurança, e não a eficácia, 6 dos 11 pacientes que receberam uma dose comummente prescrita entraram em remissão completa.

A terapia CAR-T envolve a recolha de células do sistema imunitário, chamadas células T; em seguida, essas mesmas células são modificadas em laboratório de forma a produzirem estruturas especiais chamadas de recetores de antígenos quiméricos na sua superfície.

As células T modificadas são reinfundidas no paciente, onde os novos recetores das células permitem que eles reconheçam as células cancerígenas, acabando por as eliminar.

Aprovada pelos reguladores de saúde norte-americano e europeu (FDA e EMA, respetivamente), a terapia já salvou a vida a muitas pacientes com leucemia e linfoma, proporcionando remissões duradouras para aqueles que, outrora, estavam à beira da morte.

A desvantagem é que o tratamento muitas vezes causa efeitos secundários graves – alguns deles com risco de vida – que devem ser gerenciados por especialistas experientes.

Esses efeitos ocorrem quando as células proliferam rapidamente e libertam umas substâncias chamadas citocinas; esta síndrome de libertação de citocinas pode levar a danos em vários órgãos, inclusivamente inchaço cerebral.

Nesta nova investigação, os cientistas ajustaram a sequência e a forma das moléculas; como resultado, as células CAR-T eliminam na mesma as células cancerígenas, mas produzem menos citocinas e proliferam mais lentamente, dando ao corpo do paciente mais tempo para eliminar as citocinas no sangue.

“A nossa esperança é que esta versão, que consideramos mais segura, possa vir um dia a ser administrada a pacientes em ambientes ambulatoriais”, disseram os cientistas.

Fonte: Eurekalert

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