Sobreviver ao cancro infantil

A luta contra o cancro é uma das provações mais difíceis que alguém tem de ultrapassar; mas essa luta é ainda mais dura quando os pacientes são crianças.

“Eu tive leucemia linfoblástica aguda”, recorda Rebecca Morrow.

Hoje, Rebecca é uma adulta saudável com uma família amorosa, mas para chegar até aqui, teve de passar por muitas dificuldades.

“Eu fui diagnosticada no verão de 1996, quando tinha 12 anos. Comecei a perder muito peso, estava pálida e tinha hemorragias nasais que duravam horas. Os meus pais ficaram muito preocupados, mas achavam que era uma coisa passageira. E isso é normal, porque nenhum pai acredita que o seu filho pode ter cancro”.

Mas, infelizmente, os pais de Rebecca estavam errados.

Ninguém imaginava que Rebecca teria de suportar 2 anos de quimioterapia e radioterapia.

“O hospital onde eu fui diagnosticada não tinha as condições necessárias para o meu tratamento, então fui transferida para outro hospital que ficava a duas horas da minha cidade. Mas esse hospital também não tinha uma ala de oncologia pediátrica; eu fiquei internada numa ala pediátrica, juntamente com crianças com pneumonia, o que, para uma criança com cancro, não é a situação ideal”, conta Rebecca.

“Voltei a ser transferida, desta vez para uma Base da Força Aérea, uma vez que os meus pais faziam parte das Forças Armadas. E ali sim, tive todas as condições. Naquele hospital militar senti que ia conseguir ultrapassar esta doença. Como eu, estavam lá outras crianças e adolescentes diagnosticados com cancro, o que foi ótimo para mim, pois pude relacionar-me com pessoas que percebiam aquilo que eu estava a passar”.

Rebecca entrou em remissão aos 16 anos.

Mas, com a cura, veio também o medo. O medo de sofrer o impacto dos tratamentos.

“Eu estava a passar pela puberdade e uma das coisas que os médicos me disseram foi que havia uma forte possibilidade de eu não conseguir ter filhos. Mas isso não aconteceu, e hoje, tenho uma filha linda, com 3 anos, que é a luz dos meus olhos”.

Hoje em dia, Rebecca dedica-se à consciencialização para o cancro infantil e para a necessidade de um maior financiamento para pesquisas que ajudem a encontrar uma cura.

“Senão fosse pelo financiamento de pesquisas para o cancro infantil, a minha história poderia ser diferente. Mas é triste ver que, ainda hoje, e passados tantos anos, a investigação para o cancro infantil continua a não ser valorizada. O cancro em crianças é muito diferente do cancro em adultos, e parece que ainda ninguém percebeu isso. Precisamos de apoiar estas crianças”.

A sobrevivente faz também questão de deixar uma mensagem a todos os pais e cuidadores de crianças com cancro.

“Permaneçam positivos! É complicado, eu sei, mas não desistam. Envolvam os vossos filhos no tratamento, expliquem-lhe tudo o que sabem… E deixem que eles se relacionem com outras crianças que estão a passar pelo mesmo. É importante saber que não estamos sozinhos quando estamos a lutar contra um cancro”.

Fonte: WXXV

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