Sobreviventes: radioterapia associada a desenvolvimento de diabetes

Doses elevadas de radiação durante o tratamento para o cancro infantil podem estar associadas a um maior risco de diabetes mais tarde na vida, de acordo com os resultados de um estudo prospetivo publicado no Journal of the National Cancer Institute.

“Graças ao desenvolvimento de novas e melhores terapias, as taxas de sobrevivência para o cancro infantil a 5 anos excedem os 80%. Mas o fato de termos hoje mais sobreviventes levou a que nos apercebêssemos de que existem demasiados efeitos secundários decorrentes do tratamento”, explicou Daniellle Friedman, pediatra no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos.

Estudos anteriores mostraram que os sobreviventes de cancro infantil que receberam radiação abdominal têm um risco aumentado de diabetes. No entanto, a relação entre o risco e a dose de radiação não foi estabelecida.

Neste estudo, os cientistas avaliaram 20 762 sobreviventes de cancro infantil em remissão há mais de 5 anos, incluindo 4 568 que haviam sido expostos a radiação abdominal. Este grupo foi comparado a 4 853 irmãos.

Os cientistas usaram dados para estimar a dose máxima de radiação no abdómen, além de calcularem as métricas de dose específicas do pâncreas.

Os resultados mostraram o aparecimento de 389 casos de diabetes entre todos os sobreviventes e 53 casos entre irmãos. Entre os sobreviventes tratados com radiação abdominal, 2,3% desenvolveram diabetes quando tinham cerca de 30 anos de idade; 1,2% daqueles que não foram submetidos a radioterapia abdominal relataram ter diabetes a partir dos 28 anos.

Entre o grupo de irmãos, apenas 0,8% foram diagnosticados com diabetes a partir dos 34 anos.

Sobreviventes que receberam radioterapia abdominal foram 2,92 vezes mais propensos do que os seus irmãos a desenvolver diabetes, e 1,6 vezes mais propensos do que sobreviventes que não foram expostos à radiação.

O aumento da idade, um IMC mais alto e uma maior dose de radiação foram associados a um maior risco de diabetes entre os sobreviventes tratados com radioterapia.

Entre os sobreviventes com idades entre os 21 e os 30 anos, a incidência da diabetes foi de 1,3% para aqueles tratados com radiação abdominal e de 0,8% para aqueles não tratados com radiação abdominal. Entre os sobreviventes com idade superior a 40 anos, a incidência de diabetes foi de 4,6% para aqueles tratados com radiação abdominal e 3,1% para aqueles que não foram submetidos a esse tratamento.

Fonte: Healio

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