Nova ferramenta permite prever risco de menopausa precoce

Futuramente, oncologistas de todo o mundo poderão ter uma nova ferramenta que lhes permita prever de que forma um tratamento contra o cancro infantil pode influenciar o aparecimento de um tipo de menopausa prematura, graças ao trabalho de uma estudante da Universidade de Alberta, no Canadá.

Rebecca Clark, assim se chama a estudante, criou uma ferramenta, apelidada de “calculadora de risco” online que permite que os médicos insiram as exposições de tratamento propostas para os seus pacientes e saibam qual a probabilidade de o tratamento influenciar o desenvolvimento da menopausa.

Se o risco de desenvolvimento da menopausa nos primeiros 5 anos após o diagnóstico de cancro for considerado baixo, “os médicos podem voltar a concentrar-se, em primeiro lugar, na sobrevivência da criança, antes de voltarem a preocupar-se com qualquer risco de menopausa prematura que pode se desenvolver mais de 5 anos após o tratamento”, explicou a criadora da ferramenta.

Rebecca explica que, embora a probabilidade de sobreviver a um diagnóstico de cancro infantil tenha aumentado significativamente – de uma taxa de sobrevivência a 5 anos de 58% em meados da década de 1970 para quase 90% hoje em dia – isso não reflete as consequências a longo prazo que aqueles que sobrevivem acarretam.

“1% das mulheres irá desenvolver menopausa de forma prematura antes dos 40 anos, mas esse número aumenta para 15% em jovens do sexo feminino que sobrevivem a um cancro infantil. E isso acontece porquê? Por causa dos tratamentos a que essas jovens são sujeitas, sejam eles quimioterapia ou radioterapia. Se por um lado, esses tratamentos salvam vidas, por outro, diminuem a qualidade de vida dos sobreviventes”.

Financiada pela Stollery Children’s Hospital Foundation, esta pesquisa serviu como tema de mestrado para Rebecca, que quis investigar os problemas reprodutivos que jovens sujeitas a tratamento oncológico enfrentam; mais especificamente, a investigadora quis analisar de que forma seria possível prever o risco de desenvolver menopausa prematura.

Os resultados do estudo foram publicados no The Lancet Oncology.

“Queria oferecer a estas raparigas, e às suas famílias, um pequeno vislumbre do futuro. Quis que elas estivessem preparadas e informadas sobre os problemas que os tratamentos lhes poderiam trazer. E quis oferecer aos médicos uma ferramenta que lhes permitisse alterar um bocado, se assim o entenderem, o rumo dos tratamentos”.

De acordo com Rebecca, mais de 99% dos sobreviventes de cancro infantil desenvolverão, pelo menos, um tipo de condição crónica.

“Estas jovens já são obrigadas a enfrentar demasiadas incógnitas. Fazer com que elas consigam saber, pelo menos, uma coisa a mais pode ter um grande impacto”.

Fonte: Folio

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