Sobreviventes: investigadores desenvolvem teste para prever recidiva em crianças com neuroblastoma

Um grupo de cientistas de várias instituições internacionais, incluindo da Universidade de Singapura e do Institute for Health Innovation and Technology, acreditam ter descoberto um novo método não invasivo para prever e reduzir o risco de recidiva em crianças diagnosticadas com cancro infantil.

Atualmente, uma das formas de tumores sólidos mais comummente diagnosticada em crianças é o neuroblastoma – este tipo de cancro, embora curável, é, segundo os cientistas, um dos que apresenta um maior risco de recidiva o que, consequentemente, reduz em grande escala a probabilidade de sobrevivência.

“A medula óssea é o local onde ocorre a maioria das recidivas do neuroblastoma. Esta descoberta fornece um método simplificado de avaliação da propagação deste tipo de cancro – atualmente, o método utilizado é complexo, doloroso e caro, o que o torna particularmente assustador para os jovens pacientes e para as suas famílias”, explicou o Amos Loh, um dos investigadores envolvidos no estudo.

“Os métodos atuais são capazes de mostrar que, no final dos tratamentos, os pacientes estão ‘livres de cancro’. Nós quisemos ir mais além, e com esta nova abordagem acreditamos ser capazes de detetar os ‘resquícios da doença’ que ainda não conseguem ser identificados. Temos a certeza de que, no futuro, estas intervenções podem salvar a vida dos nossos pacientes”, continuou.

De uma forma geral, as recidivas são causadas por um pequeno número de células cancerígenas que, mesmo após os tratamentos, permanecem no corpo do paciente, sem que tenham sido detetadas.

Eventualmente, essas células podem dar origem a vários tumores, mesmo muitos anos depois.

Este novo método não invasivo de monitorização de doentes diagnosticados com neuroblastoma “é indolor, mais barato e envolve apenas uma pequena quantidade de sangue do paciente”.

A amostra de sangue é processada para separar as células cancerígenas de outras células – as células cancerígenas são então analisadas em busca de genes que auxiliem os médicos a determinar a probabilidade de o cancro se espalhar para a medula óssea, prevendo assim a probabilidade de recidiva.

O estudo identificou vários genes que previam a recidiva num grupo de pacientes com neuroblastoma – incluindo os genes OLFML2B, STAT1, ARHGDIB, STAB1 e TLR2, que são conhecidos por estarem associados a um estado de doença mais agressivo.

“Esperamos que este método possa substituir os métodos invasivos atuais e que possa ser expandido para outros tipos de cancros infantis”, afirmaram os cientistas que, para além das células cancerígenas, estão também a investigar outras entidades biológicas circulantes no sangue que podem fornecer mais opções de monitorização da eficácia do tratamento e ajudar a prever a disseminação e a recidiva em casos de cancro infantil.

Os investigadores esperam agora que este novo método possa ser colocado em prática clínica num futuro próximo.

A investigação foi publicada na revista Frontiers in Oncology.

Fonte: Technology Networks

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