Sobreviventes de cancro infantil casam-se, 20 anos depois de se terem conhecido

Quando, há mais de 14 anos, Lindsey Wilkerson começou a trabalhar no St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, um membro da sua equipa disse-lhe que havia alguém que ela ia gostar de conhecer.
Lindsey foi então levada para uma sala onde, emocionada, foi apresentada a Joel Alsup, um rapaz que tinha conhecido quando tinha 12 anos, e que nunca mais tinha visto.
“Eu lembro-me de ter uma paixão enorme por ele quando éramos crianças”, disse ela.
Ele também gostava dela, mas tinha dificuldade em expressar os seus sentimentos.
“Ela era muito bonita, mas eu era um rapaz de 13 anos extremamente tímido”, disse Joel, que tinha começado a trabalhar no St. Jude Children’s Research Hospital em 2003.
Este foi um encontro improvisado, o tipo de encontro que não podia ter sido prometido a nenhum dos dois duas décadas antes, quando Lindsey e Joel eram duas crianças com cancro infantil que faziam os tratamentos naquele que é hoje o seu local de trabalho.
“O St. Jude salvou as nossas vidas”, recorda Lindsey, que soube em 1991 que tinha uma leucemia linfoblástica aguda.
“Ela teve muitos altos e baixos durante o seu tratamento, mas lembro-me que ela era uma menina muito forte”, relembra a Dra. Melissa M. Hudson, a oncologista pediátrica que acompanhou Lindsey.
Sensivelmente 4 anos antes, Joel e a sua família descobriram que ele tinha um osteossarcoma, um tipo de cancro ósseo que o obrigou a amputar o braço direito.
“O Joel tinha 7 anos de idade quando me disse que não conseguia apertar o cinto, mas eu na altura achei que ele estava só a brincar”, disse o pai de Joel, Bob.
Lindsey, agora com 37 anos, e Joel, de 38 anos, estão hoje livres de cancro, mas são obrigados a fazer a exames médicos a cada 5 anos para monitorizar a sua saúde.
Enquanto isso, trabalham no hospital que lhes salvou a vida, para que possam dar “a todos os pacientes, o amor e o cuidado que nos foi dado quando tínhamos a idade deles”, disse Joel.
O casal conheceu-se pela primeira vez num evento de angariação de fundos para o St. Jude Children’s Research Hospital, em 1993, onde as suas famílias foram convidadas a falar sobre o drama do diagnóstico do cancro infantil no seio familiar.
“Eu lembro-me de ficar muito impressionada com o Joel, porque ele era muito fofo e tinha um grande sentido de humor”, relembra Lindsey.
Nos anos seguintes, o casal cruzou-se noutras situações, como consultas de oncologia, mas acabaram por perder contato quando ambos foram para a faculdade. Nesse entretanto, Lindsey casou-se, teve 2 filhos e divorciou-se, mas nunca se esqueceu do seu sonho de criança: trabalhar no St. Jude.
“Quando eu me tornei mãe, comecei a olhar para os jovens pacientes como se fossem os meus próprios filhos. Eu costumava pensar: ‘Eu sei por aquilo que eles estão a passar, porque eu já fui uma destas crianças’”, disse Lindsey.
“Os filhos da Lindsey têm as mesmas idades que nós tínhamos quando estávamos a fazer os tratamentos contra o cancro. Vê-los a viver vidas normais significa muito para nós”, confidenciou Joel.
Apesar de se terem reencontrado em 2003, só há dois anos e meio é que este casal começou a namorar. O pedido de namoro surgiu em setembro de 2016 quando, após um filme, Joel disse a Lindsey que a amava.
“Ele pode ter dito primeiro, mas há 25 anos atrás fui eu que comecei a gostar dele primeiro”, disse, sorridente, Lindsey.
O casal deu o nó no dia 1 de setembro de 2018, numa capela feita em homenagem ao fundador do St. Jude Children’s Research Hospital.
“A vossa vida foi invadida por um diagnóstico de cancro, mas vocês resistiram e derrotaram essa doença. Hoje, vocês tornaram-se duas das pessoas mais amorosas que conheço e estão a retribuir tudo aquilo que fizeram por vocês. O único problema foi terem demorado 20 anos a perceber que eram o amor da vida um do outro”, proferiu Brent Powell, o diácono que celebrou a união do casal.
Durante a cerimónia, os dois filhos de Lindsey acenderam 4 velas, como símbolo da nova família que os 4 estão a criar.
À saída da igreja, os noivos foram presenteados pelos seus convidados, muitos deles sobreviventes de cancro, com confetes azuis e brancos em forma de coração, iguais aos que são usados quando os jovens pacientes do St. Jude Children’s Research Hospital terminam os tratamentos de quimioterapia.
“Graças ao St. Jude, eu tive a sorte de casar com o amor da minha vida”, disse, emocionada, Lindsey.
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