Sobrevivência: quando o cancro é uma memória distante

Para muitas pessoas, a batalha contra o cancro é algo que fica marcado durante toda uma vida; mas, para Ally McEwan, um jovem de 26 anos, a sua luta contra o cancro infantil é uma lembrança distante e pouco clara.

Com apenas 4 anos, Ally foi diagnosticado com leucemia linfoblástica agudaquatro anos de idade. O mundo da sua família ficou virado de pernas para o ar, mas Ally era apenas uma criança.

Exatamente 20 anos depois de ter entrado em remissão, o jovem falou da sua experiência enquanto se preparava para participar num evento de angariação de fundos.

“A lembrança mais antiga que tenho é do meu pai me dizer que precisávamos de ir ao hospital. Lembro-me de ficar assustado, mas pouco mais”, revela.

“A maioria das memórias que tenho são pequenas imagens que me vão aparecendo, de vez em quando. Curiosamente, foi com o passar dos anos que me apercebi o quanto a luta contra o cancro me afetou”.

“É preciso dizer que a batalha não termina quando entramos em remissão. O cancro, mesmo que não recidive, e não vai recidivar, fará para sempre parte da minha vida”, afirma Ally.

O jovem passou 2 anos em tratamento; durante esse período, foi sujeito a quimioterapia e a várias operações, que lhe deixaram cicatrizes que ele carrega consigo até hoje.

Apesar de as memórias que tem serem poucas, o jovem sente que precisa de agradecer a todos os médicos e enfermeiros que ajudaram Ally a ter um futuro.

Ally McEwan tem hoje 23 anos. – Fonte: Heather Fowlie

Por esse motivo, aceitou participar num evento solidário juntamente com outros 22 homens que lutam, ou lutaram, contra um cancro. O objetivo é angariar fundos para a Friends of Anchor, uma instituição de cariz social, que ajuda pessoas afetadas pelo cancro.

“Quando eu tinha uns 10 ou 11 anos, apercebi-me que era um sobrevivente. Foi aí que tive consciência da minha jornada. E foi a partir daí que soube que tinha que retribuir aquilo que as pessoas tinham feito por mim”, conta Ally.

O jovem recorda que, quando atingiu a idade da adolescência, começou a sentir que algo de mau aconteceria consigo.

“O meu pensamento direcionou-se para coisas más. Deixei de fazer planos, de pensar no futuro. É engraçado que, no meu caso, o cancro só tenha tido um impacto em mim anos depois de eu o ter combatido.

Durante a angariação de fundos, Ally admite que se sentiu como “um peixe fora de água”.

“As pessoas que ali estavam lembravam-se de toda a sua luta. Eu não…foi muito estranho não ter grandes lembranças para partilhar.”

“Mas não me senti diminuído por isso, pelo contrário. Fui bem recebido pelos restantes 21 homens. Cada um de nós tem a sua experiência e memórias, as minhas são apenas um bocado mais longínquas”.

Fonte: The Press and Journal

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