Sobrevivência: apesar dos avanços nos tratamentos, continuam a existir disparidades entre os países europeus

Os resultados de uma análise financiada pela União Europeia, intitulada EUROCARE-5, revelaram a existência de disparidades nas taxas de sobrevivência ao cancro infantil entre os vários países europeus, o que deu origem a importantes iniciativas um pouco por toda a Europa de forma a reduzir estas disparidades.

Estendendo a sua representatividade através do aumento da cobertura dos países do leste europeu, o estudo EUROCARE-6 teve como objetivo atualizar o progresso da sobrevivência em todos os países e anos de diagnóstico, ao mesmo tempo que pretendeu fornecer novas perspetivas analíticas sobre as estimativas das taxas de sobrevivência a longo prazo e a percentagem de pacientes diagnosticados com cancro infantil que conseguiram atingir a cura.

No total, esta investigação de base populacional analisou 135 847 crianças, com idades entre os 0 e os 14 anos, que haviam sido diagnosticadas entre 2000 e 2013. Oriundas de 31 países europeus, estas crianças foram acompanhadas até ao final de 2014.

Para o estudo, foram calculadas as diferenças nas taxas de sobrevivência a 5 anos, ajustadas por idade, por país e ao longo do tempo, usando uma análise de período, para todos os cancros combinados e para os principais tipos de cancro.

Foi aplicada uma variante de modelos de cura de mistura padrão para dados de sobrevivência para estimar a percentagem/taxa de cura de pacientes com cancro infantil e para estimar a sobrevivência projetada a 15 anos.

Os resultados mostraram que as taxas de sobrevivência a 5 anos para todos os tipos de cancro infantil combinados entre 2010 e 2014 foi de 81%, o que indica um aumento de três pontos percentuais em comparação com os anos compreendidos entre 2004 e 2006.

Ao longo deste período, os cientistas observaram um progresso significativo para quase todos os tipos de cancro.

As taxas de sobrevivência permaneceram estáveis para osteossarcomas, sarcomas de Ewing, linfomas de Burkitt, linfomas não-Hodgkin e rabdomiossarcomas.

A projeção de sobrevivência a 15 anos para todos os pacientes com cancro infantil diagnosticados entre 2010 e 2013 foi de 78%.

Tendo em conta os resultados, os investigadores concluíram que os níveis das taxas de sobrevivência ao cancro infantil têm vindo a aumentar de forma gradual, mas, infelizmente, as desigualdades entre os vários países europeus ainda se mantêm.

Com base nos resultados, os deixam um conselho: uma monitorização regular das taxas de sobrevivência e a observação pormenorizada dos dados de registo de base populacional são cruciais para avaliar os avanços no tratamento do cancro pediátrico.

Fonte: The Lancet Oncology

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