Cancro pode levar à morte de 11 milhões de crianças até 2050

Se não forem feitos investimentos adicionais para o tratamento do cancro infantil, estima-se que, nos próximos 30 anos, mais de 11 milhões de crianças, com 14 anos ou menos, morram de cancro em todo o mundo.

O alerta é feito por um grupo de cientistas, que afirma que mais de 9 milhões de mortes, cerca de 84%, ocorrerão em países pobres e em desenvolvimento.

De autoria de 44 oncologistas, pediatras, especialistas em saúde globais e economistas, o relatório demonstrou que, com o investimento na expansão da cobertura mundial de intervenções economicamente viáveis ​​e no fortalecimento dos sistemas de saúde, milhões de vidas de crianças poderiam ser salvas.

Ramandeep Arora, oncologista pediátrico e um dos autores da investigação falou do seu país em particular, a India, onde a maioria das crianças com cancro acaba por falecer.

“Isso acontece porque quase metade destas crianças não são diagnosticadas, e muito menos tratadas, a tempo; infelizmente, as que o são, recebem tratamentos e apoios sociais inadequados. Ainda assim, se investirmos no desenvolvimento e na ampliação das vias de acesso e referência e fornecermos tratamentos de alta qualidade, assistência social e apoio financeiros, poderemos salvar a maioria destas crianças com doença oncológica”.

O estudo, publicado na revista The Lancet Oncology, fornece evidências convincentes de que a melhorar a vida destas crianças é um investimento viável e altamente económico para todos os países, sejam ricos ou pobres.

“A expansão do acesso a diagnósticos, tratamentos e cuidados de suporte alcançáveis, juntamente com o fortalecimento mais amplo dos sistemas de saúde, pode evitar mais de 6 milhões de mortes infantis e trazer quase 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,8 mil milhões de euros) em benefícios económicos nos próximos 30 anos”, explicou Rifat Atun, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

Cerca de 80% das crianças diagnosticadas com cancros em países desenvolvidos viverão por mais de cinco anos; em países pobres e em desenvolvimento, essa taxa de sobrevivência é menor do que 30%.

“As hipóteses de sobrevivência para crianças em países pobres podem ser melhoradas. O nosso relatório estabelece uma estrutura médica baseada em evidências que os países podem usar para implementar, integrar e ampliar os cuidados para o cancro infantil”.

Sem investimento adicional para melhorar o acesso a serviços de saúde e tratamento do oncológico, espera-se que cerca de 13,7 milhões de crianças desenvolvam cancro em todo o mundo entre 2020 e 2050; mais de 10 milhões desses casos ocorrerão em países em desenvolvimento e cerca de 939 mil casos em países desenvolvidos.

Ainda assim, e infelizmente, desses 13,7 milhões de crianças, 6,1 milhões, ou 45%, não terão acesso a diagnósticos ou tratamentos.

Fonte: Outlook India

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