Sarcoma de Ewing: descoberta possível abordagem terapêutica

Em crianças com sarcoma de Ewing, um cancro ósseo agressivo, uma combinação de duas classes diferentes de fármacos pode funcionar sinergicamente para desligar a biologia que alimenta a doença, segundo um novo estudo.

A investigação, publicada na revista Clinical Cancer Research, é a mais recente de uma série de pesquisas realizadas por cientistas do Dana Farber/Boston Children’s Cancer and Blood Disorders Center, nos Estados Unidos.

Estes esforços estão a lançar uma nova luz sobre a biologia que alimenta a natureza agressiva das células do sarcoma de Ewing e a levar ao desenvolvimento de novos alvos terapêuticos para esta e outras formas de cancro infantil.

Embora os métodos de tratamento atuais curem cerca de 70% das crianças com uma forma localizada do sarcoma de Ewing, eles geralmente envolvem uma combinação de quimioterapia, radioterapia e cirurgia agressivas que podem ser difíceis de tolerar; para crianças com doença metastática ou para aquelas que sofre uma recidiva após a conclusão da terapia de primeira linha, as opções de tratamento são limitadas e raramente resultam numa cura.

Outra questão complicada é que “as crianças enfrentam longos atrasos no acesso a ensaios clínicos de medicamentos menos tóxicos que visam as mutações que impulsionam o cancro”, segundo Kimberly Stegmaier, codiretora do programa de neoplasia hematológica pediátrica instituto que levou a cabo esta investigação.

Estudos anteriores feitos pela mesma equipa demonstraram que o sarcoma de Ewing é dependente da atividade de uma proteína chamada quinase de adesão focal (FAK), e que a inibição da atividade da FAK retarda o crescimento do tumor de Ewing.

No entanto, numerosos estudos demonstraram que o tratamento com um único medicamento é insuficiente; por isso, em vez de combinar os inibidores da FAK com a quimioterapia, os investigadores procuraram outras terapias direcionadas, e menos tóxicas, que pudessem ser emparelhadas com os inibidores da FAK para eliminar de maneira mais eficaz as células do sarcoma de Ewing.

No estudo atual, os cientistas examinaram variados medicamentos oncológicos para identificar agentes que poderiam trabalhar em conjunto com a inibição da FAK para eliminar as células do sarcoma de Ewing.

Os investigadores descobriram que a combinação de inibidores da FAK com fármacos que visam uma proteína necessária para as células se dividirem resultou numa maior morte celular do sarcoma de Ewing e inibiu significativamente a progressão do tumor mais do que qualquer tratamento sozinho.

Esta descoberta vem ao encontro de outros 2 estudos publicados sobre o sarcoma de Ewing que identificaram novas abordagens de tratamento para esta doença.

Em 2018, Kimberly Stegmaier foi autora de um estudo publicado na revista Cancer Cell que explorou de que forma é possível direcionar cancros, como o sarcoma de Ewing, que são impulsionados por fatores de transcrição oncogénicos (proteínas que ligam ou desligam genes).

Os investigadores descobriram que os inibidores de CDK12, quando combinados com um fármaco inibidor de PARP, podem ter um impacto dramático nas células de sarcoma de Ewing, uma combinação que se espera que seja menos tóxica para os pacientes do que a quimioterapia.

Outro estudo publicado recentemente utilizou a ferramenta CRISPR-Cas9 para investigar as deficiências genéticas; os cientistas conseguiram identificar genes cuja atividade promove a proliferação de células de sarcoma de Ewing, nas quais o p53, um gene protetor que sofre mutação na maioria dos cancros em adultos, está intacto.

Ao atacar esses genes, os cientistas conseguiram eliminar as células do sarcoma de Ewing e retardar o crescimento do tumor em cobaias animais; essas descobertas, publicadas no último verão, também levaram à criação de um ensaio clínico com pacientes com sarcoma de Ewing e vários outros tipos de cancro.

“Estes estudos começam a abrir caminho para o desenvolvimento de novos e eficazes tratamentos para pacientes com sarcoma de Ewing”, disseram os cientistas.

Fonte: Eurekalert

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