Sarcoma: a importância do diagnóstico precoce de um tumor raro

Texto originalmente publicado no Jornal Público e da autoria de Hugo Vasques

A propósito do Dia Internacional do Sarcoma, que se assinala esta terça-feira, é importante alertar para a existência deste tipo raro de cancro e para a importância do seu diagnóstico precoce, já que o único tratamento verdadeiramente eficaz é a cirurgia.

Os sarcomas correspondem a um grupo de tumores malignos com origem nos tecidos de suporte do corpo humano, ao contrário dos carcinomas, que são tumores malignos com origem nas células nobres de cada órgão.

A sua origem pode estar na gordura, no músculo, no osso, na cartilagem, no tendão, entre outras estruturas de suporte, e aparecer em qualquer região do corpo, com predomínio dos membros (60%), seguindo-se o tronco (30%).

Este tipo de tumor é raro, correspondendo a 1% de todas as neoplasias da idade adulta e a 15% dos tumores pediátricos, e compreende mais de 60 subtipos histológicos diferentes, com comportamentos, prognósticos e especificidades terapêuticas únicas.

Uma grande parte destas neoplasias é assintomática — não produz sintomas — e estas lesões são detetadas acidentalmente aquando da realização de exames de imagem para a investigação clínica de outras doenças.

Quando sintomáticas, geralmente manifestam-se na forma de massas palpáveis, maioritariamente não dolorosas, que podem surgir em qualquer região anatómica.

Qualquer massa de crescimento relativamente recente ou progressivo, ou com mais de 5cm, detetada pelo doente ou por terceiros, deverá prontamente ser observada por um médico com experiência em sarcomas. Este deverá completar o estudo através da requisição de exames de imagem e providenciar a realização de uma biópsia.

O diagnóstico dos sarcomas é histológico — consiste na análise microscópica dos tecidos para a deteção de possíveis lesões existentes — logo, implica a realização de uma biópsia, que deve ser fechada. Ou seja, realizada por agulha e, sempre que possível, orientada por métodos de imagem: ecografia ou TAC (tomografia axial computorizada).

Paralelamente, deverão ser requisitados exames de imagem com os objetivos de caracterizar o tumor — localização, dimensões e relação com as estruturas vizinha — e de saber em que fase a doença se encontra (local, regional ou sistémica). Os métodos de imagem mais utilizados são a ecografia, o raio-X, a TAC e a ressonância magnética (RMN).

O tratamento mais eficaz para estes tumores é a cirurgia. Para além desta, são usadas, também no tratamento desta doença, a radioterapia e a quimioterapia.

Pela sua raridade, especificidade, variabilidade entre os vários subtipos histológicos e parcas opções terapêuticas, este tipo de doença deverá ser abordada por profissionais com experiência nesta área e em instituições que estejam capacitadas para a execução de todas as opções terapêuticas.

É mandatório que todos os doentes sejam discutidos e avaliados por uma equipa clínica multidisciplinar. É desta avaliação multidisciplinar que deverá resultar o plano de tratamento de cada doente e não da avaliação individual de cada clínico.

Se as opções terapêuticas não forem devidamente analisadas ou se forem mal executadas poderemos comprometer irremediavelmente o tratamento dos nossos doentes.

Fonte: Público

Comments are closed.