Recurso a aminoácidos pode ser útil contra leucemia

As células cancerígenas consomem açúcar a uma taxa mais elevada do que as células saudáveis, mas também necessitam de aminoácidos, considerados os blocos de construção de proteínas e outras biomoléculas.

Agora, investigadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de explorar essa necessidade para bloquear seletivamente o crescimento das células de leucemia.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Metabolism.

Os cientistas identificaram uma enzima transportadora, chamada ASCT2, que leva aminoácidos para as células, como um alvo para fármacos anticancerígenos.

A exclusão do gene que codifica esta enzima prolongou a sobrevida em ratos com uma forma agressiva de leucemia, a leucemia mieloide aguda, de 45 para mais de 300 dias.

“Até agora, pouco progresso foi feito para encontrar alvos terapêuticos nas vias metabólicas de aminoácidos que podem ser aproveitados para matar as células cancerígenas, mas poupam as células normais”, explicaram os cientistas.

“Este é um alvo terapêutico altamente promissor para a leucemia. O ASCT2 é dispensável para o desenvolvimento de células normais do sangue, mas é necessário para o desenvolvimento e progressão da leucemia”.

Nos últimos anos, houve um ressurgimento do interesse pelo efeito Warburg: o metabolismo distorcido das células cancerígenas, onde a ideia é privar as células tumorais, deixando as células saudáveis sozinhas.

O ASCT2 é responsável por absorver vários aminoácidos, como a glutamina, nas células. Nas células de leucemia, a perda de ASCT2 gera um efeito global no metabolismo celular, interrompe o influxo de leucina e a sinalização de mTOR e induz a apoptose.

A equipa ficou surpresa ao descobrir que o gene que codifica ASCT2 pôde ser excluído dos animais, sem interromper substancialmente o desenvolvimento das células sanguíneas. No entanto, os ratos demoram mais tempo para recuperar as contagens de glóbulos brancos após o stress a que são sujeitos, por parte dos fármacos quimioterápicos ou radiação.

“Embora as nossas descobertas gerais sugiram fortemente ASCT2 como um alvo terapêutico para o tratamento de leucemia, os investigadores terão de ter cautela na combinação de inibidores de ASCT2 com quimioterapia em ensaios clínicos”, disseram os cientistas.

A equipa de investigação testou a eficácia da inibição de ASCT2 em ratos com leucemia mieloide aguda e encontrou um efeito terapêutico significativo; ainda assim, o fármaco usado foi de baixa potência e não específico o suficiente para uso clínico.

Fonte: Medical Xpress

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