RARA, o gene que pode vir a ser útil no combate à leucemia mieloide aguda

Cientistas do Baylor College of Medicine e do Texas Children’s Hospital, ambos nos Estados Unidos, descobriram uma potencial fragilidade da leucemia mieloide aguda pediátrica que pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para esta doença.

A equipa foi a primeira a identificar potenciadores específicos – regiões do ADN que conduzem a superprodução de certos produtos genéticos – em células de crianças diagnosticadas com leucemia mieloide aguda.

Esses potenciadores foram associados a genes promotores de leucemia.

Em específico, um dos potenciadores que mais interesse gerou foi associado ao gene RARA, sendo que 64% das amostras de leucemia mieloide aguda de pacientes pediátricos que os cientistas analisaram tinham o potenciador desse gene.

As células de leucemia mieloide aguda com o gene potenciador RARA foram sensíveis ao tratamento com o fármaco tamibaroteno em culturas de laboratório e em modelos animais, prolongando a sobrevivência e reduzindo a carga da doença. Em contraste, as células de leucemia mieloide aguda sem este gene não foram sensíveis a esse mesmo tratamento.

Os resultados, publicados na revista Blood Advances, apoiam o desenvolvimento de um ensaio clínico para avaliar a eficácia do tamibaroteno em crianças com leucemia mieloide aguda que tenham níveis elevados de RARA.

“A nossa equipa está interessada em encontrar novos medicamentos que sejam mais eficazes e menos tóxicos para tratar crianças diagnosticadas com leucemia mieloide aguda”, explicou Joanna Yi, uma das cientistas envolvidas na investigação.

A investigadora e a sua equipa pretendem identificar os condutores moleculares da leucemia mieloide aguda pediátrica que são expressos especificamente em células de leucemia e ausentes em células normais.

“Isso aumentaria a probabilidade de conseguirmos desenvolver um tratamento mais eficaz para a leucemia mieloide aguda. Esse tratamento atacaria especificamente as células de leucemia, ao mesmo tempo que não tinha nenhum, ou tinha efeitos mínimos, nas células normais do corpo”.

De uma forma geral, os cancros pediátricos são “geneticamente silenciosos, o que significa que, normalmente, poucos genes mutantes estão associados a cancros infantis. Além disso, as mutações encontradas não parecem ser suscetíveis à regulação por medicamentos”, disseram os cientistas.

Tal como observado em outras doenças, neste tipo de leucemia os reguladores de genes com defeito podem alterar a produção de produtos de genes normais. Por exemplo, reguladores de genes potenciadores podem desencadear uma abundância de uma certa proteína normal, o que pode interromper as funções celulares de maneiras que podem levar ao desenvolvimento de cancro.

A equipa de cientistas ficou entusiasmada ao descobrir que o fármaco tamibaroteno desacelerou a proliferação, induziu a apoptose ou promoveu a maturação celular em culturas de laboratório de células de leucemia mieloide aguda de pacientes com o gene potenciador. Em contraste, as células sem este gene não mostraram sensibilidade ao fármaco.

Além disso, o tamibaroteno aumentou a sobrevivência em modelos animais com a doença e com o gene.

“Estas descobertas são um forte apoio para darmos o próximo passo em direção à realização de um ensaio clínico em crianças com leucemia mieloide aguda com altos níveis de RARA”, dizem os cientistas.

Fonte: Eurekalert

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