Quando um sintoma de gripe se torna um diagnóstico de leucemia

Apenas um mês depois de iniciar o seu primeiro ano na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, a jovem Marlee Pincus, na altura com 17 anos, começou a tossir de forma compulsiva.

Como circulava uma epidemia de gripe pela universidade, a jovem desvalorizou a sua tosse e supôs que também ela tinha sido infetada pelo vírus; mas a tosse piorou, e começaram a surgir outros sintomas, como febre.

Quando a febre e a tosse começaram a ser insuportáveis, Marlee decidiu dirigir-se às urgências hospitalares; nesse mesmo dia, a jovem foi diagnosticada com uma leucemia.

A faculdade teve que ser posta de lado, pois Marlee teria de enfrentar duros tratamentos durante os próximos dois anos.

A adolescente diz que o diagnóstico lhe deu uma “nova perspetiva sobre a vida”, o que a levou a angariar mais de 20 mil dólares (cerca de 18 mil euros) para a pesquisa para a leucemia.

“Eu estava a conhecer muitas pessoas interessantes, a aprender coisas novas, a comer só fast food e a deitar-me tarde…coisas típicas de faculdade. De repente todos os meus amigos ficaram engripados, com tosse, tal como eu, e foi por isso que desvalorizei”, disse a jovem numa publicação no blog da Sociedade Americana de Leucemia e Linfomas.

“Só quando as minhas amigas começaram a recuperar e eu continuava a piorar é que que comecei a achar que algo de estranho se passava. Mas mesmo assim atribui todos os sintomas ao stress causado pelas aulas e pelos exames”.

“Senão fosse a minha mãe, provavelmente não estaria aqui hoje. Quando fui passar um fim de semana a casa, ela reparou que eu estava extremamente pálida e decidiu levar-me de imediato ao hospital. E foi assim que descobri que tinha leucemia”, recorda Marlee.

A contagem de glóbulos brancos estava extremamente alta, ao contrário dos seus níveis de hemoglobina, uma proteína nos glóbulos vermelhos que transporta oxigénio pelo corpo, o que era preocupante.

Sem saber o que fazer, os médicos transferiram a jovem para Hospital Hackensack, onde lhe disseram que ela tinha sido diagnosticada com uma leucemia linfoblástica aguda de células T, um tipo de cancro no qual a medula óssea produz muitos glóbulos brancos imaturos chamados linfócitos.

Estes glóbulos brancos imaturos “expulsam” os glóbulos brancos normais, fazendo com que o corpo tenha mais dificuldade em combater infeções. Os sintomas incluem falta de ar, hematomas, hemorragias e infeções crônicas.

Segundo a American Cancer Society, cerca de 6 mil pessoas deverão ser diagnosticadas em 2019 com esta doença, só nos Estados Unidos.

“Ouvir que temos cancro é das coisas mais assustadoras que pode acontecer na vida. O meu primeiro pensamento foi ‘Oh meu Deus, eu vou morrer?’. Mas os meus médicos foram incríveis, explicaram-me que hoje em dia a leucemia e o cancro já não são uma sentença de morte, e que cerca de 90% dos pacientes diagnosticados com esta doença conseguem curar-se”.

A faculdade teve que ficar para trás, pois a carga dos tratamentos foi demasiado pesada para a jovem conseguir conciliar os tratamentos com os estudos.

No seu 18º aniversário, Marlee decidiu que iria angariar dinheiro para a Sociedade Americana de Leucemia e Linfomas. A adolescente pretendia arrecadar 1 800 dólares (cerca de 1 500 euros) em 18 dias; quando a angariação terminou, Marlee tinha conseguido arrecadar mais de 20 mil dólares (cerca de 18 mil euros).

“Embora nunca tenha pensado que esta seria a minha vida, estou disposta a aproveitar esta oportunidade para me autoexplorar e ganhar uma nova perspetiva sobre a vida”, disse Marlee.

“Esta experiência, esta luta, as pessoas que conheci, é algo de que nunca me irei esquecer”.

Fonte: Daily Mail

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