Quando o cancro infantil revela a verdadeira vocação das pessoas

Para Yuko Sasaguchi, uma jovem japonesa de 26 anos, o cancro infantil é uma memória dolorosa, mas que a levou a descobrir a sua verdadeira vocação.

Yuko é agora uma médica que trata crianças que lutam contra esta doença e que oferece apoio às suas famílias, na mesma ala pediátrica do Hospital da Universidade de Nagasaki, no Japão, onde foi tratada há mais de uma década.

“Estás cheio de energia” disse a médica quando entrou no quarto de Shori Tanaka, uma criança com apenas 2 anos que foi diagnosticada com leucemia mielocítica aguda.

Entre sorrisos, o par deu início a uma luta de balões.

Todos os anos no Japão, são diagnosticadas com cancro entre 2 mil a 2 500 crianças.

Recentemente têm sido levantadas algumas questões sobre os métodos atuais de tratamento e assistência social que muitos profissionais consideram insuficientes para lidar com os tipos raros de cancro que as crianças desenvolvem com frequência.

Yuko tem vigiado Shori desde que o menino foi diagnosticado em outubro passado.

Quando Shori iniciou os tratamentos sofreu muitos efeitos secundários, incluindo vómitos e febre, mas a sua condição agora é praticamente estável.

Yuko era uma aluna do liceu quando foi hospitalizada no inverno de 2005 com um linfoma maligno. Embora sentisse uma crescente ansiedade em relação ao seu futuro, uma vez que restava apenas um ano para ir para a universidade, a jovem sentia-se incapaz de compartilhar os seus sentimentos com sua mãe, Yumi, que a visitava todos os dias.

No entanto, a jovem encontrou alento quando ouviu uma conversa entre a sua mãe e a mãe de outra rapariga hospitalizada na mesma sala.

“Se minha filha estivesse, pelo menos, animada, eu já ficaria feliz”, ouviu Yuko.

“Foi aí que percebi que ninguém sabe como será o futuro. Nesse momento parei de chorar e parei de pensar ‘no que irá acontecer’. Recomecei a viver a minha vida, mesmo dentro das 4 paredes deste hospital”, conta a médica.

Após 4 meses de tratamento, Yuko recebeu alta.

Yumi deixou que a sua filha fizesse o que quisesse, e absteve-se de se preocupar excessivamente com a sua condição.

A ideia era que Yuko recuperasse a sua força física, mesmo que isso envolvesse deixar a rapariga juntar-se a um clube de montanhismo na escola secundária.

Quando Yuko se começou a questionar sobre qual o curso superior que iria tirar, ela lembrou-se das palavras da mãe da rapariga com quem partilhou um quarto no hospital: “Mantém o bom humor agora…ninguém sabe como será o futuro”.

Essa frase ecoou pela cabeça de Yuko, que imaginou como seria se uma sobrevivente de cancro infantil trabalhasse como médica, ajudando a aliviar o fardo de crianças com cancro e as suas famílias.

E assim foi.

Yoku matriculou-se em medicina, terminou o curso e começou a trabalhar no Hospital da Universidade de Nagasaki na primavera passada.

Uma das coisas que mais anima e enche de orgulho a jovem médica é trabalhar lado a lado com o médico que a tratou.

“Quero compartilhar a minha experiência com todas as crianças com quem trabalho”, disse Yoku.

“As pessoas têm experiências e problemas diferentes, mas, como médica, espero poder ajudar a aliviar a ansiedade que estes pequenos guerreiros sentem”.

Fonte: Asahi

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