Quando a morte de um filho nos dá “uma nova missão de vida”

Quando, aos 6 meses de idade, a filha de Andrew Kaczynski e de Rachel Ensign foi diagnosticada com uma forma rara de cancro cerebral, o casal usou a sua experiência jornalística para reunir o máximo de informações possível sobre a doença.

“Foi, literalmente, o pior projeto de investigação que alguma vez tive de fazer”, conta Andrew.

Durante a sua pesquisa, o casal descobriu que havia apenas quatro oncologistas em todos os Estados Unidos que podiam tratar a sua filha Francesca.

No espaço de uma semana, a família natural de Nova York mudou-se “de armas e bagagens” para Boston, onde a menina poderia começar um tratamento inovador no Dana-Farber Cancer Institute.

Após uma batalha de 3 meses, Francesca morreu na véspera de Natal, com apenas 9 meses de idade.

“Nesse dia, descobri uma nova missão na vida. Acredito que, quando algo tão traumático como a morte de um filho nos acontece, isso faz-nos realinhar e reavaliar as nossas prioridades”.

Enquanto Francesca estava no hospital, Andrew criou a organização Team Beans, para ajudar crianças diagnosticadas com a mesma doença que Francesca. “Beans” era o apelido da menina.

O que começou como uma maneira simples de mostrar apoio à bebé, tornou-se num movimento popular.

Em março deste ano, para comemorar aquele que seria o primeiro aniversário Francesca, Andrew, com a ajuda dos seus colegas da CNN, fez chapéus da Team Beans para vender na loja online da emissora. Até agora, foram angariados mais de 130 mil dólares (cerca de 109 mil euros).

Em maio, foi criado o Team Beans Infant Brain Tumor Fund, cujo principal objetivo é ajudar o novo Infant Brain Tumor Center do Dana-Farber Cancer Institute, o local onde Francesca recebeu tratamento – em menos de um mês, este fundo solidário já angariou mais de 150 mil dólares (cerca de 126 mil euros).

“E cada cêntimo conta”, diz Andrew.

Devido à relativa raridade do cancro cerebral pediátrico – há 5 mil casos por ano – as pesquisas e testes clínicos nesta área são amplamente subfinanciados. Além disso, as empresas farmacêuticas têm pouco incentivo para investir no desenvolvimento de medicamentos para tratamento.

Os pais de Francesca ficaram chocados ao saber que nunca houve um medicamento desenvolvido para o tratamento do cancro cerebral pediátrico.

“A Francesca recebeu tratamentos desenvolvidos há vários anos, para adultos”.

Mas não se trata apenas de dinheiro.

Com a Team Beans, Andrew está empenhado em aumentar a consciencialização para o cancro infantil – “existem tantos problemas por resolver na área da oncologia pediátrica”.

Para já, Andrew conseguiu algo nunca feito até aqui – no próximo Setembro Dourado, o mês de Consciencialização para o Cancro Infantil, o Empire State Building, em Nova York, irá iluminar-se a favor desta causa.

“Desde 2014 que vários ativistas tentaram fazer com que isto fosse possível. Finalmente conseguimos. Finalmente aquelas crianças vão saber que o mundo está de olho nelas, que se preocupa. E isso, é o mais importante”.

Fonte: Town and Country Mag

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