Protecção solar na criança com doença oncológica

Mariana Cravo, Serviço de Dermatologia do IPO de Lisboa

Do espectro da radiação solar que atinge a superfície terrestre, a radiação ultravioleta (UVA e UVB) é a principal responsável tanto pelos efeitos benéficos como nefastos do sol na pele, como por exemplo o efeito térmico, anti-raquítico (através da síntese de vitamina D) e anti-depressivo, mas também causa queimadura solar, diminuição do sistema imunitário (imunossupressão) e, a longo prazo, envelhecimento cutâneo e cancro de pele.

As crianças são mais susceptíveis aos efeitos prejudiciais da radiação ultravioleta, pelo facto da sua pele ter menos fotoprotecção natural e ser mais sensível.

No caso particular da criança com doença oncológica, a sua pele encontra-se ainda mais sensibilizada pelos tratamentos a que foi ou está a ser submetida, o que se traduz num maior risco de queimadura solar. Alguns destes tratamentos aumentam a probalilidade desenvolvimento de cancro de pele no futuro, pelo que a exposição solar destas crianças deve ser submetida a cuidados redobrados.

Durante a realização de tratamentos oncológicos e até um ano após a sua conclusão, estas crianças não devem expor-se ao sol.

Para que exista um convívio saudável com o sol para que a criança possa usufruir dos seus efeitos benéficos, a protecção solar deve passar, antes de tudo, pelo respeito estrito das horas de exposição solar (evitando o período entre as 11 e as17 horas) e por uma fotoprotecção correcta através de uso de roupa adequada, chapéu, óculos escuros e preferência pela sombra.

Nas crianças oncológicas que foram submetidas a tratamento nos últimos 2 a 3 anos, deverão usar-se, preferencialmente, protectores solares com filtros físicos ou minerais, que não são absorvidos pela pele, minimizando-se, desta forma, o risco de reacção alérgica. O seu uso deverá ser limitado às áreas de pele que não se encontram protegidas pelo vestuário, como a cara, o pescoço, as orelhas, os antebraços e as pernas. Este deverá ser aplicado, de forma generosa, cerca de 30 minutos antes da exposição solar e reaplicado a cada 2 horas.

Após a exposição solar, a pele deverá ser bem lavada, com o intuito de retirar os restos do protector solar que a possam irritar, utilizando para isso produtos de limpeza suaves, seguida de abundante hidratação com emoliente.

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