Poderá um antidepressivo ser a chave para o tratamento de sarcomas pediátricos?

Uma nova investigação descobriu que um antidepressivo comummente prescrito pode interromper o crescimento de um tipo de cancro conhecido como sarcoma de Ewing.

As descobertas, realizadas em ratos e em células de laboratório, “reavivam a esperança de novas estratégias de tratamento contra esta doença”, de acordo com cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia.

“Embora esta investigação tenha sido realizada em ratos, e ainda não possamos dizer o quão aplicáveis os resultados são para os humanos, temos esperança de que poderemos reaproveitar medicamentos comuns para pacientes jovens com cancro que precisam desesperadamente de melhores opções de tratamento”, disse Caitrín Crudden, um dos principais autores deste estudo.

A investigação examinou semelhanças entre dois grandes grupos de recetores de superfície celular, os chamados recetores acoplados à proteína G (GPCRs) e os recetores tirosina quinases (RTKs); os GPCRs são direcionados por mais de metade de todos os medicamentos desenvolvidos para tratar condições como alergias, asma, depressão, ansiedade e hipertensão, mas até agora não foram amplamente usados ​​no tratamento do cancro.

Por outro lado, os RTKs, são direcionados por fármacos oncológicos devido à sua implicação numa variedade de anomalias celulares. Um recetor da família RTK que desempenha um papel fundamental em muitos cancros, incluindo o sarcoma infantil, é o recetor do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF1R). No entanto, tentativas anteriores de desenvolver drogas anticancerígenas contra esse recetor falharam.

Para esta investigação, publicada na revista Cancer Research, os cientistas examinaram o IGF1R e descobriram que ele partilhava um módulo de sinalização com os GPCRs, o que significa que pode ser possível afetar a sua função por meio de fármacos direcionadas aos GPCRs.

“Essa estratégia abre novas possibilidades de reaproveitar fármacos bem toleradas para silenciar esse recetor que direciona o tumor e, assim, interromper o crescimento do cancro”, afirmaram os cientistas.

Para testarem esta teoria, os investigadores trataram células de sarcoma de Ewing e cobaias com Paroxetina, um medicamento antidepressivo que prejudica um recetor de recaptação de serotonina que faz parte da família GPCR.

A análise descobriu que esse fármaco diminuiu significativamente o número de recetores IGF1R nas células malignas e, desta forma, suprimiu o crescimento do tumor.

Os cientistas também descobriram o mecanismo molecular por detrás desse direcionamento cruzado.

“Desenvolvemos uma nova estratégia para controlar a atividade desses recetores que direcionam o tumor ao atingir os GPCRs”, concluíram os investigadores, que se sentem bastante orgulhosos, uma vez que as suas descobertas “representam um novo paradigma para toda a classe de RTKs relevantes para o cancro e pode ser usado como um ponto de partida para um projeto de terapêuticas específicas em virtualmente quaisquer condições patológicas”.

“Isso”, dizem, “é especialmente importante considerando o grande número de GPCR que visam medicamentos já em uso clínico e com baixa toxicidade”.

No futuro, os investigadores planeiam desenvolver a sua estratégia para atingir seletivamente vários RTKs e confirmar as suas descobertas em ambientes clínicos.

Fonte: Eurekalert

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