Óscar, o menino que fugiu dos tratamentos

Tentar convencer uma criança de 4 anos a fazer qualquer coisa é um desafio que a maioria dos pais tem de enfrentar. Desde escovar os dentes, até comer os legumes, se não for algo que agrada aos mais pequenos, os pais terão uma batalha entre mãos. E, na realidade, é mais do que provável que os pais percam esta batalha.

Mas o que fazer quando o que as crianças não querem é fazer parte de um tratamento que lhes pode salvar a vida?

Isto foi o que aconteceu a um casal australiano, Angela e Marc Dickenson, quando o seu filho Óscar, um menino feliz e traquina, como qualquer rapaz de 4 anos de idade, foi diagnosticado com um linfoma de Burkitt, uma forma de linfoma não-Hodgkin no qual o cancro tem início nas células imunológicas.

A família Dickenson ficou devastada com o diagnóstico de Óscar. – Fonte: DR

Estávamos em 2015 quando o mundo de Angela e Marc desabou.

“Estava tudo bem e de repente o Óscar fica com muitos sintomas esquisitos. Náuseas, vómitos, tonturas. Eu desvalorizei, achei que fosse uma gripe ou alguma virose que ele tivesse apanhado no infantário”, recorda Angela.

Nos dias seguintes, Óscar continuou a sentir-se indisposto, mas foi quando os pais descobriram um nó no abdómen do menino que ficaram verdadeiramente preocupados.

“Levámo-lo de imediato para o hospital. Numa primeira triagem, disseram-nos que o Óscar tinha de ser operado, porque estava com uma apendicite. Foi durante a operação que os médicos descobriram que o nó no estômago não estava relacionado com isso e sim com algo muito mais grave” disse Angela.

Os exames mostraram que o menino tinha um linfoma de Burkitt, uma forma de linfoma não-Hodgkin.

“Foi aterrorizante”, conta a mãe da criança.

Aos 4 anos de idade, Óscar nem sabia o significado da palavra “cancro”. – Fonte: DR

“Eu comecei a chorar, não tive outra reação. Apenas perguntava se não havia um erro nos exames, mas os médicos asseguravam-me que não”.

“O tratamento prescrito foi quimioterapia muito intensiva devido ao rápido crescimento do tumor. Num espaço de 12 horas, mudámo-nos de armas e bagagens para a cidade de Brisbane, onde o Óscar ia fazer os tratamentos”.

Graças à Leukaemia Foundation, a família conseguiu ter uma casa onde ficar enquanto o menino era sujeito aos tratamentos.

“Quando o nosso filho é diagnosticado com cancro, nós ficamos à mercê do hospital. Enquanto pais, fazemos tudo o que os médicos pedem, na esperança de que o nosso filho recupere”.

E se foi difícil para a família, este foi um processo ainda mais complicado para o pequeno Óscar.

“De um momento para o outro, tivemos que explicar ao Óscar o que era o cancro. Ele tinha 4 anos, nunca tinha ouvido aquela palavra. Mas ali estávamos nós, num hospital, a dizer que ele tinha de ser forte, que tinha de fazer tudo o que os médicos dissessem. Ele ficou muito assustado, mas manteve-se calmo e durante a maior parte do tempo”.

Contudo, no final do seu último ciclo de quimioterapia, o menino fugiu.

“O tratamento estava quase a chegar ao fim e, um dia, enquanto eu estava a falar com os médicos, o Óscar foge de ao pé de mim, e sai disparado pelas portas do hospital. Na altura, o meu marido não estava comigo, era só eu, o Óscar e a minha outra filha, a Isla. Tive que a deixar com as auxiliares e correr para o apanhar”.

Angela garante que nunca irá esquecer a imagem de quando o menino foi encontrado, a vaguear pelas ruas de Brisbane.

“Foi de partir o coração. O meu filho gritava e dizia que não queria voltar para o hospital, que não queria fazer mais tratamentos. Ele estava tão frágil. Senti-me a pior mãe do mundo. Mas sabia que tinha de ganhar forças, pegar nele e levá-lo para o hospital. O meu filho precisava daquele tratamento. Era a única maneira de eu o ter ao meu lado”.

Os médicos suspeitavam que Óscar estava com uma apendicite. A verdade foi bem mais assustadora. – Fonte: DR

“Eu olhei-o nos olhos e disse-lhe que faria qualquer coisa por ele, mas que não o podia deixar não ir para o hospital”.

O menino regressou ao hospital, mas, contrariado, voltou a fugir passados alguns dias.

“Da segunda vez foi pior ainda. Eu estava numa reunião com os médicos e ele estava a ser vigiado pelos enfermeiros. De repente, percebeu que ninguém estava a olhar para ele, e fugiu. Quando eu soube, já um enfermeiro o tinha trazido de volta, mas a resistência foi tanta que o Óscar ficou com um hematoma. Foi traumático”.

No final, tudo valeu a pena.

Depois de vários meses no hospital, Óscar foi declarado como estando em remissão.

Agora, com 7 anos, a criança voltou a ser o rapaz alegre e divertido que sempre foi.

Hoje, Óscar está livre de cancro. – Fonte: DR

“É o meu campeão. Continuamos a ir ao hospital de 3 em 3 meses, mas já vai com outro espírito, porque sabe que não vai lá ficar. É uma bênção ter o meu filho ao meu lado!”.

Fonte: Now To Love

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