Os sobreviventes e os problemas de insónias

Alguns adolescentes e jovens adultos que sobreviveram ao cancro queixam-se que, mesmo após o término dos tratamentos, continuam a sofrer de insónias, algo que interfere em diversas atividades diárias.

Agora, num estudo publicado na revista Pediatric Blood and Cancer, cientistas do Dana-Farber Cancer Institute mostraram que um programa online, desenvolvido especificamente para adolescentes e jovens adultos sobreviventes de cancro, pode aliviar significativamente as insónias e melhorar a qualidade de vida geral desta população.

O programa, que consistiu em 6 sessões de 20 a 30 minutos, demonstrou que os hábitos de sono que ajudaram os pacientes a lidar com os seus tratamentos intensivos podem, numa fase posterior, tornar-se obstáculos a um sono saudável, à medida que os sobreviventes vão além do tratamento.

O formato deste programa, afirmam os investigadores, é particularmente adequado para o momento atual, uma vez que, como resultado da crise causada pela COVID-19, os programas de telessaúde e online estão a tornar-se cada vez mais amplamente utilizados.

“A terapia cognitivo-comportamental para as insónias (TCC-I), que ajuda os pacientes a entender os padrões comportamentais e de pensamento que levam a problemas de longo prazo relativamente a questões de sono, já se havia mostrado muito eficaz em sobreviventes de cancro adultos. No entanto, este processo não tinha sido amplamente testado no grupo de sobreviventes de cancro infantil. Queríamos explorar se este programa, mas especificamente adaptado aos sobreviventes adolescentes e jovens adultos, poderia ser útil”.

Segundo os investigadores, as pessoas que sobreviveram ao cancro na adolescência ou numa fase em que são considerados jovens adultos enfrentam uma variedade de problemas relacionados ao sono, que são exclusivos da sua faixa etária; isso inclui as restrições impostas às programações de sono dos jovens pelos seus pais, por exemplo. Adolescentes e jovens adultos também passam por mudanças normais no desenvolvimento do tempo circadiano, indo naturalmente para a cama mais tarde e dormindo até mais tarde do que as crianças e adultos mais velhos.

A intervenção testada no estudo é conhecida como SHUTi e foi desenvolvida por cientistas da Universidade da Virgínia, no Estados Unidos, e adaptada para sobreviventes adolescentes e jovens adultos pelos principais autores deste estudo; o programa interativo usa texto, imagens e vídeo para explicar de que forma as insónias se desenvolvem e como podem ser superadas.

O programa aborda comportamentos do sono que ajudaram os pacientes a enfrentar o tratamento do cancro, mas que, numa fase se cura, se podem se tornar prejudiciais.

“Durante o tratamento, as pessoas podem passar mais tempo na cama, ou porque não se sentem bem ou porque não dormiram o suficiente. As sestas também são permitidas, o que promove um sono noturno mais fragmentado. Mas, à medida que as pessoas recuperam, esses mesmos hábitos podem dificultar o retorno à vida normal e aos padrões de sono saudáveis”

De acordo com o estudo, o SHUTi treina as pessoas para que estejas consigam regular o seu sono, de forma a que, a longo prazo, a qualidade do mesmo seja francamente melhor.

No estudo, 22 sobreviventes, com uma idade média de 20,4 anos, que sofriam de insónias foram inscritos para usar o SHUTi; como parte do programa, os participantes mantiveram um diário de sono, onde anotavam as suas horas de sono, inserindo essa informação no SHUTi, que ajustou as suas recomendações de sono de acordo com os dados.

Às 8 e 16 semanas após o início do uso do SHUTi, os participantes relataram uma diminuição significativa na gravidade das insónias, de sonolência diurna e de fadiga e uma melhoria geral na qualidade de vida.

“Os nossos resultados demonstram que um programa como o nosso, destinado a sobreviventes de cancro desta população, reduziu os sintomas de insónia e melhorou a qualidade de vida”.

Fonte: Eurekalert

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