Organização investe 50 milhões de dólares em pesquisa

Com apenas 9 anos, Matthew Morales já é um perito em agulhas, hospitais e medicamentos.

“Os que eu menos gosto são os remédios líquidos…sabem a vomitado”, disse a criança numa conferência da Sociedade Americana de Leucemia e Linfomas.

Matthew tinha 4 anos quando foi diagnosticado com uma leucemia linfoblástica aguda, a forma mais comum de cancro infantil e uma das com maior taxa de sobrevivência.

Mas Matthew tem uma forma rara de leucemia linfoblástica aguda, que afeta apenas 2% das crianças com este tipo de leucemia e que se deve a uma mutação genética, conhecida como cromossoma Filadélfia.

Matthew foi tratado durante 3 anos até entrar em remissão, mas o cancro teimava em não desaparecer. O menino teve 3 recidivas e necessitou de um transplante de medula óssea, que recebeu graças ao seu irmão, que era seu compatível.

Hoje em dia, Matthew está em remissão controlada com a ajuda de um inibidor génico desenvolvido graças a uma pesquisa financiada pela Sociedade Americana de Leucemia e Linfomas.

Matthew está a partilhar a sua história a pedido desta organização, que o escolheu para candidato ao prémio “Boy of the Year”, uma iniciativa que ajuda a angariar dinheiro para a investigação na área da oncologia.

Este ano, a Sociedade Americana de Leucemia e Linfomas lançou uma nova iniciativa, no valor de 50 milhões de dólares (cerca de 44 milhões de euros), que se destina a apoiar investigações que tenham como foco o desenvolvimento de terapias mais seguras para crianças com cancro infantil.

“Estamos empenhamos em aumentar o nosso financiamento para a pesquisa, em melhorar o nosso acesso aos pacientes, em apoiar a Childhood Cancer STAR Act e, finalmente, em terminar os nossos ensaios clínicos”, disse Lee Greenberger, diretor científico da Sociedade Americana de Leucemia e Linfomas.

O cancro do sangue em crianças representa 40% de todos os cancros pediátricos, mas nos últimos 30 anos, foram aprovados apenas 4 fármacos oncológicos para o uso em crianças.

“Os fármacos que têm sido apresentados e aprovados são para adultos. A indústria dá sempre prioridade ao desenvolvimento de fármacos para adultos. E isso tem de mudar. Temos que pôr as crianças em primeiro lugar”, continuou Lee Greenberger.

O cancro de Matthew é considerado incurável, mas a verdade é que, há uns anos atrás, a criança não teria sequer sobrevivido à primeira recidiva. Se hoje Matthew está vivo, foi graças ao (pouco) progresso que se tem vindo a fazer, pois sem ele não existiria o inibidor génico que é hoje fundamental para o menino.

Ainda assim, o crescimento da criança foi prejudicado pela terapia, pelo que Matthew deverá fazer uma pausa na medicação para crescer um pouco mais; contudo, com essa pausa, existe a possibilidade de uma nova recidiva.

Quando questionado sobre o que sente em relação ao seu cancro, Matthew responde “receio”.

Apesar de ter apenas 9 anos de idade, Matthew já passou por 3 recidivas, e sabe que esta doença pode significar a morte; mas o jovem mantém a esperança de que os investigadores façam progressos no tratamento do cancro.

Atualmente, a pesquisa sobre o cancro está focada na medicina de precisão e na imunoterapia, uma técnica na qual as células do próprio sistema imunitário do paciente são projetadas para eliminar as células cancerígenas.

“Estou muito confiante. Nos próximos 10 anos veremos muitos progressos, acreditem”, frisou Lee Greenberger.

Fonte: ABC

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