OMS lança novas ferramentas para ajudar países na criação de programas eficazes contra o cancro infantil

No dia 15 de fevereiro, a data que assinala o Dia Internacional da Criança com Cancro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um conjunto de ferramentas para ajudar os países a melhorar o diagnóstico e o tratamento desta doença.

O pacote inclui um guia para formuladores de políticas, gerentes de programas de controlo oncológico e gerentes de hospitais; uma ferramenta de avaliação para ajudar a compreender melhor a sua implementação; e um portal online multilíngue para a partilha de informações.

As novas ferramentas apoiarão os países na implementação da abordagem CureAll, adotada pela Iniciativa Global para o Cancro Infantil da OMS.

A iniciativa, lançada em 2018, visa atingir pelo menos 60% de sobrevivência para o cancro infantil em todo o mundo até 2030.

Atualmente, as crianças que vivem em países desenvolvidos têm cerca de 80% de hipótese de cura, enquanto menos de 30% das crianças diagnosticadas com cancro em muitos dos países pobres e em desenvolvimento sobrevivem.

Durante os últimos dois anos, esta Iniciativa Global, apoiada St. Jude Children’s Research Hospital, tornou-se ativa em mais de 30 países.

No total, a OMS conta com mais de 120 parceiros globais que, juntos, trabalham para apoiar os governos na implementação da abordagem CureAll, abordando as razões comuns para as baixas taxas de sobrevivência de crianças com cancro nos países em desenvolvimento.

Essas razões incluem o diagnóstico tardio ou incorreto, uma capacidade de diagnóstico insuficiente, atrasos ou inacessibilidade nos tratamentos e, infelizmente, o abandono desses mesmos tratamentos.

Soluções para todas estas questões são fornecidas através de um novo guia que se baseia em quatro pilares: centros de excelência com diretrizes de referência bem definidas e profissionais treinados; inclusão da oncologia pediátrica em pacotes de benefícios nacionais para cobertura universal de saúde; padrões de tratamento baseados em evidências e ajustados à capacidade local; e sistemas de informação robustos para a monitorização contínua do desempenho do programa.

Estudos de caso em países que começaram a implementar esta abordagem, como Gana, Peru e Uzbequistão, também estão incluídos.

  • A nova ferramenta que facilita a criação de abordagens personalizadas para o controlo da doença

De forma a ajudar na implementação desta iniciativa, para além de apoiar a interpretação em tempo real dos dados recolhidos, a OMS também lançou uma nova ferramenta de avaliação, que foi desenvolvida em parceria com a Agência Internacional de Energia Atómica e, entre outros, com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro.

Esta ferramenta irá permitir que os programas nacionais oncológicos desenvolvam abordagens personalizadas para o controle desta doença, gerando dados para a tomada de decisões e ajudando a resolver várias lacunas nos países pobres e em desenvolvimento.

  • Um portal para a partilha de informações

A importância da partilha de dados, de experiências clínicas e de especialização é a chave para melhorar os padrões e o desempenho dos programas oncológicos de todo o mundo.

Por isso, e há semelhança do que já vem sido feito, o Knowledge Action Portal da OMS apoiará a implementação da Iniciativa Global para o Cancro Infantil.

Este portal, traduzido em seis idiomas, irá oferecer um fórum para o estabelecimento e gestão de parcerias, organização de programas de capacitação e partilha de recursos.

  • O fardo evitável do cancro infantil: “é a hora passarmos à ação”

O início da pandemia da COVID-19, no início de 2020, criou a necessidade de um outro tipo de dados, nomeadamente sobre o efeito da COVID-19 em crianças com cancro.

Em resposta a esta necessidade, o St. Jude Children’s Research Hospital começou a recolher, em colaboração com vários parceiros, dados sobre a infeção por COVID-19 entre crianças com cancro.

No início de fevereiro, mais de 1 500 pacientes com cancro infantil de 48 países haviam feito o teste para a COVID-19.

Os dados disponíveis parecem indicar que o efeito da COVID-19 em crianças com cancro é menos grave do que originalmente esperado; contudo, existe uma preocupação constante sobre o efeito que o medo pode desempenhar na procura de atendimento médico, o que, obviamente, terá consequências para as crianças com cancro a longo prazo e pode levar a uma piora nos resultados.

“Fornecer cuidados em pacientes com cancro infantil e implementar esta Iniciativa Global continuam a ser uma prioridade, mesmo durante a pandemia COVID-19, e continuará a sê-lo quando ela terminar”, disse o Bente Mikkelsen, Diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS.

“A cada ano, cerca de 400 mil crianças são diagnosticadas com cancro em todo o mundo, e a grande maioria dessas crianças vive em países pobres e em desenvolvimento, onde a probabilidade de sobrevivência é muito menor. Podemos – e devemos – dar a estas crianças mais e melhores oportunidades”.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

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