O último desejo de Jak: criar um centro para ajudar crianças com cancro

Quando, regressado de uma viagem com a sua namorada, Jak Trueman começou a sentir dores na garganta, o jovem nunca pensou que aquele incómodo pudesse ser um sintoma de cancro.

“Quando ele voltou da viagem a Tenerife, com a sua namorada e os pais dela, vinha estranho. Queixou-se de dores na garganta, de dores no corpo… Mas como tinha andado ao sol, pensámos que era o início de uma constipação”, recorda a sua mãe, Allison Barr.

Mas os sintomas pioraram, e Jak viu-se obrigado a ir ao médico de família. Após 3 consultas, o jovem escocês foi encaminhado para o Hospital St. John.

E foi aí que, com apenas 15 anos, a vida de Jak mudou radicalmente.

Os exames revelaram que o jovem sofria de uma forma rara de leucemia.

A mãe, Allison, Jak e a sua irmã, Aimie. – Fonte: DR

“Foi um choque. Foi horrível. Os médicos disseram-nos logo para não irmos pesquisar nada sobre este assunto, porque os resultados eram assustadores. Não havia dados de pessoas que tivessem sobrevivido 5 anos após o diagnóstico”.

Quase de imediato, Jak iniciou sessões de quimioterapia, o que lhe reduziu o número de células cancerígenas na medula óssea para um nível normal; mas as boas noticias não durariam muito tempo.

“De repente, o estado de saúde do meu filho piorou. Muito.”

Quando questionou os médicos sobre quanto tempo de vida o seu filho teria, Allison ficou arrasada com a resposta: 10 dias.

“Achei que me iam dizer alguns meses, até anos. Mas não…os médicos acreditavam que, num período de 10 dias, eu perderia o meu filho”.

Mas essa notícia não desmoralizou Jak, que estava determinado a viver cada segundo dos dias que lhe restavam.

Na última semana da sua vida, Jak esboçou um plano: o jovem queria construir um centro de cancro infantil em sua memória, um lugar destinado a jovens com cancro e às suas famílias, um lugar para relaxar, conversar com conselheiros e fazer amigos.

Quase 5 anos após a morte de Jak, Allison realizou o sonho do filho.

A Jak’s Den é a concretização do sonho de Jak. – Fonte: DR

Hoje, o legado de Jak mantém-se vivo graças à Team Jak Foundation, uma organização que fornece apoio prático e emocional a famílias confrontadas com um diagnóstico de cancro infantil.

O coração desta associação é o Jak’s Den, um próspero centro social em localizado em Livingston, perto da capital escocesa de Edimburgo, que apoia cerca de 200 famílias oriundas de toda a Escócia.

Neste espaço, existem espaços para brincar, áreas de aconselhamento para doentes e famílias, aulas de música e de arteterapia e áreas sociais para os pais se conhecerem.

Recentemente, a Jak’s Den inaugurou um anexo no jardim, especializado em tratamentos de beleza, que ajuda a que as “crianças e os pais se distraiam”.

A Jak’s Den fornece muitos serviços a crianças e famílias afetadas pelo cancro. – Fonte: DR

Uma das maiores fãs da Jak’s Den é Islay Kerr, uma menina de 5 anos que foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda quando tinha apenas 2 anos e que desde agosto de 2019 está em remissão. Visitante frequente do espaço, Islay adora pintar as unhas de todas as cores do arco-íris e conversar com outras crianças.

Segundo a sua mãe, Fiona, durante os 2 anos e meio em que a menina foi sujeita a tratamentos, a Jak’s Den foi a tábua de salvação da família.

“Quando conhecemos esta fundação, não percebíamos nada de cancro infantil. Estávamos apavorados. Até porque todo o processo foi muito rápido. Num dia a Islay estava a queixar-se de dores excruciantes nas pernas e menos de 36 horas depois já estava a receber o diagnóstico e a dar início às sessões de quimioterapia”.

Fiona relata esta rápida reviravolta deixou a família em “puro pânico, sem sabermos o que fazer”. Até que o pai de Islay encontrou um folheto da Jak’s Den no hospital.

Todos os dias são uma diversão para Islay, na Jak’s Den. – Fonte: DR

Curiosos, a família Kerr começou a visitar o centro entre duas a três vezes por semana.

“Foi muito bom. De repente, pudemos conhecer outros pais na mesma situação que nós, ir a sessões de aconselhamento… Enfim, a Jak’s Den tornou-se a nossa segunda casa”.

É também no centro idealizado por Jak que Fiona recebe acompanhamento psicológico, uma vez que o tratamento contra a leucemia da sua filha a deixou com muitos receios.

“Mesmo com a Islay em remissão, eu sinto que ela tem uma arma apontada e que, a qualquer momento, o gatilho será pressionado. Tenho muito medo que a minha filha sofra uma recidiva. Estou sempre atenta a qualquer sinal estranho, e isso é muito complicado, porque também passo os meus receios para a minha filha, e isso não é saudável. Felizmente, com o acompanhamento que tenho na Jak’s Den estou a conseguir controlar esses medos”.

Para Allison Barr, a história de famílias como a de Islay é a prova de que a memória do seu filho nunca será esquecida.

“Ajudar famílias sempre foi o nosso principal objetivo”.

Há poucos meses, a mãe de Jak encontrou uma lista elaborada pelo filho onde este descrevia tudo o que queria que o centro oferecesse e apercebeu-se que quase todos os desejos do filho foram realizados.

“Sinto-me muito orgulhosa por ter conseguido tornar o sonho do Jak em realidade. Mas agora fica um sentimento estranho…dou por mim a pensar ´que mais posso eu fazer para honrar a memória do meu filho?”.

Allison não desiste de manter viva a memória do filho. – Fonte: DR

Mesmo assim, não existe um dia em que Allison não pense em Jak e no quão feliz ele estaria se visse que tudo aquilo com que sonhou está a ajudar outras pessoas.

“Eu dava tudo para ter o meu filho de volta”.

Fonte: Telegraph

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