O testemunho de um pai sobre a importância dos ensaios clínicos

Estou neste momento sentado na sala de espera de um hospital, a 160 quilómetros de casa, à espera de saber os resultados da última ressonância magnética do meu filho, de 7 anos de idade.

É estranho estar a pensar em mim, mas neste “clube” do qual eu não quis fazer parte, sou um sortudo.

O meu filho, o Micah, está a comemorar o quarto ano livre da doença, após ter sido diagnosticado com uma forma agressiva de cancro quando era apenas um bebé.

Mas esta sorte que nos bafejou não surgiu do nada.

Nós tivemos sorte porque o Micah teve opções de tratamento; opções essas dadas pela St. Baldrick’s Foundation, e por todos aqueles que para ela contribuem.

O meu filho tinha apenas 15 meses de idade quando foi diagnosticado com um neuroblastoma, um tipo de cancro infantil que se desenvolve no sistema nervoso. O primeiro ano foi, nada mais nada menos, do que brutal: 8 rondas de quimioterapias, radiação, cirurgia, e um sem número de outros tratamentos e medicamentos para combater os efeitos secundários dos três primeiros.

Mesmo com todas estas terapias, o meu filho teve duas recaídas, o que reduziu a sua hipótese de sobrevivência para cerca de 10%.

Quando nos vimos confrontados com estas terríveis estatísticas, eu e a Kate, a minha esposa, partimos à descoberta de uma solução que garantisse a melhor oportunidade do Micah ficar livre do cancro.

Estávamos determinados a explorar todas as opções disponíveis.

Quando se entra no “mundo do cancro infantil”, a maioria das opções que temos são ensaios clínicos. Variando entre as fases 1 e 3, estes ensaios são cruciais para a descoberta de melhores, e menos tóxicos, tratamentos. Obviamente, ensaios de fase 1 tendem a ser mais arriscados pois, embora os médicos e os investigadores esperem que o tratamento seja benéfico, eles estão, ao mesmo tempo, a tentar descobrir qual a dose segura de um fármaco.

No total, o Micah participou em 5 ensaios clínicos, 3 deles de fase 1.

Como pai, tomar a decisão de, potencialmente, comprometer a vida do meu filho foi aterrorizador. Sempre que avançávamos para um novo ensaio, fazíamo-lo porque achávamos que era a nossa melhor opção e porque, no mínimo, estávamos a ajudar a investigação sobre esta doença horrível.

[…]

Chegaram os resultados, e eu não podia estar mais feliz. O Micah continua livro do cancro.

A Kate e eu sabemos que ele continua livre da doença graças aos ensaios em que teve a sorte de participar e que, graças a isso, outras crianças poderão beneficiar de mais e melhores tratamentos.

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