O que é o cancro, segundo um pai de um menino com a doença

Quando um pai recebe a notícia de que “o seu filho tem cancro”, o mundo como o conhecemos deixa de existir.

Nesse momento, tudo ao nosso redor move-se, mas o coração, a mente e a alma param.

É uma dormência inexplicável.

O médico pode continuar a falar, a informar-nos sobre as opções de tratamento, mas a única coisa que vemos é a sua boca a mexer-se, sem que de lá saia uma única palavra.

A última palavra que a nossa mente é capaz de processar é “cancro”.

Esta foi a minha experiência quando ouvi: “O JB tem cancro”. O que acontece a seguir é um borrão.

Existem muitas informações que precisam de ser processadas com tempo. Para alguns pais, há a negação. Para outros, há o cenário de “quem é a culpa?”, de “o cancro é uma doença de pessoas idosas e o meu filho é um bebé”.

Mas a maioria pensa que aquele diagnóstico é mentira, que só pode ser um erro.

Eventualmente, os pais aceitam o diagnóstico, principalmente porque não têm outra escolha.

O cancro não espera e não permite que as pessoas pensem muito; é uma doença sensível ao tempo, que exige uma ação rápida. Há que processar mentalmente tudo o que é necessário para tratar do nosso filho, embora tudo aconteça de uma só vez.

Reza-se, deixa-se de comer, chora-se, grita-se, espera-se que tudo seja um sonho, ao mesmo tempo que temos de aprender os nomes das substâncias químicas que formam o cocktail de quimioterapia que matam as células boas e as más dos nossos filhos.

Temos de compreender os efeitos secundários, as mudanças pelas quais o nosso filho irá passar. As mudanças pelas quais a nossa família irá passar.

Temos de compreender e chegar a um acordo com o fato de que a nossa vida nunca mais será a mesma.

Texto redigido por um membro da The Just Because Foundation e pai de uma criança com cancro

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