O poder da pesquisa no âmbito do cancro infantil

Enquanto mãe de uma criança que faleceu vítima de cancro, ainda me lembro do exato momento em que vi o tumor do meu filho a aparecer no ecrã do computador do médico.

Lembro-me de pesquisar, de analisar as estatísticas, de ler todos os estudos sobre cancro, à procura de uma cura para o meu filho.

Apesar dos esforços dos médicos, sempre me disseram que o caminho do Mason seria duro; mesmo que conseguisse sobreviver, o meu filho teria de ultrapassar vários desafios ao longo da vida.

A única coisa que poderia salvá-lo, disseram-me, era se existissem mais pesquisas sobre o cancro infantil.

Qualquer pessoa que viu o seu ente querido a ser sujeito a tratamentos contra o cancro sabe que este processo é uma espécie de bomba nuclear que afeta todos e quaisquer membros da família.

A nossa explosão durou 15 meses. O meu filho Mason foi diagnosticado com um tumor cerebral aos 3 anos e morreu com 5.

O cancro infantil é algo que está presente desde muito cedo na minha vida. Apareceu quando, há cerca de 20 anos, a minha irmã teve um cancro na adolescência.

Já vi de tudo. Já vi o poder que a pesquisa sobre o cancro pediátrico tem quando, graças a ela, a minha irmã sobreviveu. E vi a falta que a pesquisa faz quando, por falta de opções de novos tratamentos, o meu filho morreu com um cancro cerebral.

Temos visto progressos e avanços incríveis no conhecimento do cancro, seja ele em adultos ou em crianças. Mas, ainda assim, para o cancro pediátrico a estrada é longa e os caminhos tortuosos. Ainda há muito para fazer: há que desenvolver novos tratamentos, criar medicamentos novos e eficazes, e assim, quem sabe, conseguir a cura para as milhares de doenças que compõem o cancro.

Algo tem de ser feito, pois não podemos permitir que, a cada 2 minutos, uma criança seja diagnosticada com cancro.

Foi encorajador ver o presidente Donald Trump declarar a pesquisa para o cancro infantil como uma prioridade nacional e ver essa prioridade refletida na sua proposta de orçamento.

Independentemente de partidos ou de ideologias políticas, é bom ver que que todos concordam que deve ser feito mais, que se tem de ir mais além, no combate a esta doença.

Recentemente, tive a sorte de participar numa reunião, que decorreu na Casa Branca, e que contou com a participação de sobreviventes de cancro infantil e suas famílias. Sentei-me ao lado de inúmeros membros do Congresso, de partidos diferentes, mas todos unidos na criação de estratégias que pretendem ajudar nesta luta.

Por mais encorajador que tenha sido saber que o presidente quer dar prioridade ao cancro infantil, foi dececionante ver que o recente orçamento proposto reduziu o financiamento do Sistema de Saúde norte-americano e de várias outras agências que estão a liderar a pesquisa contra o cancro.

As reduções feitas nos orçamentos dessas agências impedirão a criação de pesquisas sobre vários tipos de cancro, incluindo cancro pediátrico. Por isso, é vital que os líderes do Congresso continuem com o seu compromisso bipartidário de fornecer mais financiamento para todas as agências que estão a realizar este trabalho.

Graças à minha profissão, tive a sorte de me poder encontrar pessoalmente com investigadores que, na sua mente, têm a imagem de uma criança; investigadores que têm noção do impacto que podem ter na vida de crianças e famílias marcadas pelo cancro infantil.

Um financiamento robusto e sustentado para a pesquisa do cancro infantil pode fazer a diferença entre a vida e a morte de milhares de crianças.

Perto do fim da sua vida, o Mason perguntou-se se os médicos tinham algum medicamento para o curar. Ter que lhe dizer não foi uma das piores experiências da minha vida.

Quando discutimos sobre a importância do financiamento para pesquisas sobre o cancro pediátrico, devemos concentrar-nos em fazer de tudo para que uma mãe possa dizer ao seu filho, olhos nos olhos, que “sim, os médicos têm um medicamento que te vai curar”.

Texto redigido por Danielle Leach, mãe e diretora do Departamento de Relações Governamentais da St. Baldrick’s Foundation

Fonte: The Hill

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