O plano do Reino Unido para erradicar o cancro infantil

O cancro é a principal causa de morte infantil no Reino Unido.

A doença é responsável por uma em cada cinco mortes de crianças entre 1 e 15 anos de idade, mas o Sistema Nacional de Saúde (NHS) Inglês espera resolver o problema através de testes de ADN e imunoterapia avançada para tornar o tratamento mais personalizado.

Recentemente, o NHS publicou um Plano de Longo Prazo, um documento de 136 páginas que descreve como se tentará modernizar, melhorar e salvar meio milhão de vidas na próxima década.

A partir deste ano, todas as crianças com cancro terão os seus genomas completos mapeados, numa tentativa de melhorar os resultados do tratamento.

Ao compreender a composição genética das células saudáveis e cancerígenas de um paciente, os médicos podem descobrir exatamente que mutação genética desencadeou o cancro e direcionar o tratamento de forma mais eficaz.

“O tratamento padrão baseia-se no local onde o cancro começa, mas com a medicina de precisão, em vez de nos cingirmos ao local, atacamos o erro genético”, explicaram cientistas britânicos.

Segundo Daniel Brewer, do Instituto Earlham, “o método de análise do genoma será realizado através de uma amostra de saliva ou sangue recolhida da criança e assim podemos detetar as diferenças no código de ADN. Para alguns tipos de cancro, essas informações ajudarão a definir o risco e a agressividade da doença”.

O trabalho baseia-se no 100,000 Genomes Project, uma iniciativa que, nos últimos 6 anos tem vindo a sequenciar o código genético de 100 mil pacientes do NHS.

As primeiras descobertas mostram um potencial para um aumento de 50% em informações “clinicamente acionáveis” que podem alterar as decisões de tratamento, ou levar os pacientes para testes clínicos para os quais não teriam tido acesso antes.

Os pacientes podem receber tratamentos menos tóxicos com menos efeitos secundários, e as crianças podem receber medicamentos que normalmente são usados apenas com adultos se o teste genético mostrar que o tumor em particular irá responder.

Isto pode ser particularmente útil nos casos em que o cancro retornou e o paciente fica sem outras opções de tratamento.

“Podemos ter diagnósticos mais precisos com o sequenciamento de tumores”, disse Laura Blackburn, investigadora na Universidade de Cambridge.

“Com este método podemos otimizar o tratamento. Pode ser que possamos prescrever tratamentos com base em como o tumor pode responder, de acordo com a sua genética”, explicou.

Embora esse sequenciamento possa ser benéfico para todos os pacientes com cancro, por enquanto, apenas crianças e pessoas com doenças genéticas raras terão os seus genomas totalmente sequenciados; isto acontece porque, em parte, o cancro infantil tem mais probabilidade de ter uma base genética.

O Reino Unido também se tornará o primeiro país da Europa a usar a terapia CAR-T, um tipo de tratamento que aproveita o sistema imune do paciente.

Eventualmente, o Plano de Longo Prazo estenderá o sequenciamento completo do genoma para cancros adultos específicos.

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