O papel da medicina integrativa na luta contra o cancro infantil

Quando uma criança está doente, especialmente com uma doença tão devastadora como o cancro, os pais sentem-se desesperados e desamparados, pois há muito pouco que eles podem fazer pelos seus filhos.

Por esse motivo, não são poucas as vezes que os pais consideram práticas de medicina complementar e integrativa.

A Medicina Integrativa é definida pelo American Board of Integrative Medicine® e pelo Consortium of Academic Health Centers for Integrative Medicine a como “a prática da medicina que reafirma a importância do relacionamento entre praticante e paciente, e que focaliza a pessoa como um todo, fazendo uso de todas as abordagens terapêuticas apropriadas para alcançar a saúde e a cura”.

A medicina integrativa incorpora abordagens complementares de saúde, incluindo práticas corporais e mentais, bem como uma variedade de produtos e suplementos dietéticos, como ervas ou plantas, vitaminas, minerais e probióticos.

A incidência de cancro infantil aumentou em todo o mundo na última década, provavelmente como resultado de uma maior consciencialização e de um melhor acesso aos tratamentos.

As taxas de sobrevivência para crianças com leucemia linfoblástica aguda atingem os 90%, enquanto as taxas de sobrevivência para todos os outros cancros infantis ultrapassam os 70%.

De forma a manter, e a melhorar, esses números, os profissionais devem familiarizar-se com intervenções médicas integrativas e complementares que são seguras e eficazes em pacientes pediátricos.

Da mesma forma, os médicos devem estar cientes dos tratamentos que geram preocupações para que possam educar pais ansiosos e oferecer alternativas.

Intervenções Integrativas

  • Nutrição: Os investigadores têm vindo a estudar o papel da nutrição no cuidado de suporte de pacientes pediátricos com cancro. Uma análise de 2016 de estudos que incluiu um total combinado de mais de 10 mil pacientes pediátricos com leucemia linfoblástica aguda ou leucemia mieloide aguda, constatou que um índice de massa corporal maior no diagnóstico se correlacionou com uma sobrevida significativamente pior quando comparada àqueles com um menor IMC. Os efeitos secundários da doença foram melhorados após o início de uma intervenção dietética que corrigia a má nutrição, permitindo uma melhor probabilidade de sobrevivência. Os pacientes pediátricos cujo estado nutricional permaneceu muito baixo ou muito alto apresentaram maior toxicidade e menor sobrevida. Assim, os clínicos podem ter um impacto positivo nos resultados dos pacientes pediátricos através do aconselhamento de pacientes e das suas famílias para uma alimentação saudável, onde se incluem dietas especializadas, que podem minimizar o risco de infeção.
  • Dieta e exercício: Os benefícios de uma dieta e exercício adequados estendem-se a todas as pessoas. Tais intervenções no estilo de vida têm um efeito benéfico na redução do risco de cancro em adultos. No entanto, os dados sobre se os pacientes pediátricos experimentam benefícios semelhantes são limitados, e os estudos são observacionais, em oposição à intervenção.Um estudo com 170 sobreviventes de cancro infantil descobriu que a fadiga e a qualidade de vida foram melhoradas quando as diretrizes alimentares nacionais foram seguidas.
  • Suplementos nutricionais: Os suplementos nutricionais podem interagir com tratamentos convencionais de cancro, o que torna este assunto delicado. Um estudo recente pesquisou ensaios clínicos que utilizaram suplementos; embora nem todos os desfechos tenham sido positivos, houve resultados promissores para o uso de glutamina e mel no tratamento da mucosite, ácidos graxos essenciais para prevenir a perda de peso, leite de cardo para tratar toxicidade hepática e zinco para a prevenção de infeções e perda de peso.
  • Probióticos: Embora sejam uma área relativamente nova no tratamento do cancro infantil, o uso de probióticos pode ser promissor. Diversos estudos demonstraram que a terapia contra o cancro tem um efeito negativo no microbioma que é frequentemente composto pela profilaxia antibiótica. Os probióticos podem ser valiosos nesses casos, uma vez que os estudos atuais mostram o seu benefício em pacientes pediátricos com diarreia causada por antibióticos, quimioterapia ou radiação.

Terapias Complementares

  • Acupuntura: O National Cancer Institute publicou um estudo sobre o uso da acupuntura em pacientes oncológicos que relatou a prática como aparentemente segura em pacientes adultos e pediátricos. Os dois ensaios clínicos sobre o uso da acupuntura para tratamento do cancro mostraram diminuições significativas nas sensações de náuseas e vómitos.
  • Massagem: Esta prática benéfica e acessível pode ser feita por um massagista licenciado. Os pais podem aprender técnicas adequadas que ajudarão os seus filhos com cancro.

Contudo, apesar dos benefícios de muitas destas práticas, os profissionais e investigadores acreditam que existe a necessidade de mais pesquisas sobre o uso da medicina integrativa em pacientes pediátricos com cancro, e não aconselham a que nenhuma destas terapias sejam feitas sem que os pais e cuidadores falem primeiro com os profissionais de saúde que seguem as crianças.

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