O “novo normal”: apoiar sobreviventes em tempos de pandemia

Pacientes oncológicos e os seus cuidadores não são estranhos à incerteza.

Ajustar-se a um “novo normal” é um desafio familiar experimentado por pacientes, sobreviventes e cuidadores que se veem obrigados a lidar com a mudança e o medo do desconhecido.

A expressão “novo normal” tem-se vindo a tornar um conceito global, muito devido à COVID-19, mas essa é uma expressão já muito utilizada por sobreviventes de cancro, inclusivamente de cancro infantil, uma população conhecida por ter necessidades únicas, que agora enfrenta dificuldades adicionais no contexto de uma crise de saúde global.

Conforme a pandemia progride e os efeitos emocionais de longo prazo da COVID-19 se tornam cada vez mais claros, é imperativo abordar o impacto específico experimentado por sobreviventes jovens.

Antes da COVID-19, estes sobreviventes “mal podiam esperar para terminar os seus tratamentos e voltar às suas vidas normais”.

No entanto, a pandemia ensinou-nos que este desejo pode ter que ser reajustado em face deste “novo normal”.

Agora, os sobreviventes devem ajustar ainda mais as suas expetativas, pois seu “novo normal” é tudo menos isso.

Para alguns, isso pode significar tomar precauções semelhantes às que tomaram durante o tratamento. Para outros, isso pode significar colocar planos futuros em espera.

Com a introdução de incertezas adicionais, os jovens sobreviventes podem ter sentimentos aumentados de ansiedade, medo e isolamento.

Embora, atualmente, as evidências relativas aos sobreviventes de cancro sejam limitadas, havendo apenas a recomendação de uso de máscara, distanciamento social e lavagem das mãos, a verdade é que os médicos devem reservar um tempo adicional para atender às necessidades individuais dos pacientes e sobreviventes conforme elas surjam.

Os jovens sobreviventes enfrentam agora o desafio adicional de permanecer ligados à sua equipa médica numa época de pandemia; os acompanhamentos regulares podem ser adiados ou substituídos por consultas de telessaúde que, embora, até agora, tenha tido um impacto positivo sobre esta população, é importante estar ciente das barreiras adicionais relacionadas à acessibilidade e tecnologia.

Aumentar o apoio e a comunicação entre os jovens sobreviventes e as suas equipas médicas pode diminuir os sentimentos de medo e ansiedade em relação à sobrevivência e ao risco de ser infetado com COVID-19.

Já foi dito por muitos jovens sobreviventes que, por vezes, o período após o tratamento é mais difícil do que o próprio tratamento.

Percorrer a transição de “paciente em tratamento” para “sobrevivente” também significa enfrentar a incerteza e o medo, nomeadamente de recidivas. Percorrer essa mesma transição durante uma pandemia não é tarefa fácil.

Os jovens sobreviventes estão a lidar com todos os componentes emocionais que acompanham a sobrevivência juntamente com novos desafios trazidos pelo distanciamento social e protocolos/diretrizes criados durante a era COVID-19.

Com medidas de distanciamento social em vigor um pouco por todo o mundo, é importante estar ciente das consequências negativas que o isolamento pode ter sobre aqueles que já estão em risco de sofrimento emocional.

Os jovens sobreviventes relataram sentir uma maior dificuldade em gerir relacionamentos pessoais, sejam elas amorosas, familiares ou de amizade; com o aumento da sensação de isolamento, esses mesmos jovens lutam para que os seus familiares e amigos entendam a importância de seguir os protocolos de segurança da COVID.

Infelizmente, alguns jovens sobreviventes já relataram sentir que esse aumento da sensação de isolamento tem vindo a desencadear sentimentos semelhantes àqueles sentidos no início do tratamento.

Os especialistas alertam para um crescente número de relatos de ansiedade, mau humor, medo, sentimentos de solidão, entre outros; reconhecer esses fatores é o primeiro passo para dar suporte a esta população.

De acordo com especialistas, os pacientes que terminaram recentemente os seus tratamentos estão em maior risco de apresentar sintomas de ansiedade relacionados à COVID-19. A conformidade com os cuidados de acompanhamento é fundamental para esses sobreviventes, uma vez que são eles quem está em maior risco de sofrimento emocional.

A criação de um plano de cuidados de sobrevivência para aqueles que estão a passar por uma transição de tratamento pode ajudar os sobreviventes a sentirem-se mais seguros sobre a continuidade dos cuidados. Muitos jovens acreditam que, depois de concluírem o tratamento, não têm mais o apoio da sua equipa médica, pelo que deve ser assegurado que, embora as visitas pessoais possam ser limitadas, a equipa médica estará sempre disponível.

Fonte: Oncology Nursing News

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