Novo teste pode facilitar tratamento personalizado para crianças

Cientistas da Universidade de British Columbia e do BC Children’s Hospital, ambas instituições situadas no Canadá, foram os primeiros a usar um novo teste para análise de tumores pediátricos que pode um dia orientar tratamentos personalizados para crianças com cancro.

Em parceria com o Children’s Hospital Los Angeles e com a Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, a equipa analisou 28 amostras de tumores infantis de 9 tipos de cancro.

Os investigadores descobriram que este teste para crianças encontrou mais mutações genéticas por amostra em comparação com os testes usados para analisar cancros de adultos; esta inovadora análise também identificou de forma mais eficaz as fraquezas dos tumores.

Da extração de ADN das células cancerígenas, ao sequenciamento e análise de uma amostra, todo o processo leva idealmente entre dois a três dias no laboratório.

A nova tecnologia permite que genes de interesse sejam amplificados e podem fornecer resultados para até 16 pacientes no espaço de uma semana.

No final, os investigadores recebem uma lista de possíveis medicamentos que podem ter como alvo as células cancerígenas pediátricas.

“Os cancros pediátricos são, frequentemente, muito agressivos, por isso, este tipo de testes têm de ser bastante céleres”, disse a autora principal do estudo, Amanda Lorentzian.

“O uso de sequenciamento direcionado permite um tempo de resposta rápido e um fluxo de trabalho simples. Este teste tem muito potencial para informar sobre melhores opções de tratamento para pacientes pediátricos”, continuou.

Os resultados são parte de um trabalho que está a ser feito no âmbito de um campo inovador de pesquisa sobre tratamento de cancro, intitulado oncologia de precisão.

Testes similares foram desenvolvidos para cancros de adultos, mas os cancros infantis requerem uma abordagem única, já que diferentes tecidos são afetados e o número de medicamentos é menor.

“Este teste usa a tecnologia de sequenciamento de ADN para examinar milhares de regiões específicas no genoma do tumor e identificar mudanças ou mutações nessas áreas”, explicaram os cientistas.

Atualmente, a maioria das crianças diagnosticadas com a doença recebe tratamento e sobrevive. Para muitos tipos de cancro, há uma taxa de cura maior que 80%, mas a possibilidade de recidiva é algo que está sempre presente.

“Como as taxas de cura caem drasticamente para crianças que sofrem recidivas, esperamos que esta nova tecnologia identifique tratamentos mais direcionados. Além disso, estamos a pensar em novas maneiras de podermos usar esta tecnologia de forma mais proativa para estudar o cancro infantil precocemente, para que seja possível uma maior preparação caso ocorra uma recidiva”.

Embora os planos para o tratamento proativo ainda estejam em estados muito iniciais, este estudo foi um primeiro passo para um padrão personalizado de tratamento para pacientes com cancro infantil.

Fonte: Technology Networks

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