Nova terapia pode ajudar crianças com forma agressiva de leucemia

Investigadores da City of Hope National Medical Center, nos Estados Unidos, identificaram uma potencial combinação de terapia direcionada para um tipo agressivo de leucemia encontrado em alguns bebés, uma população muito jovem para receber quimioterapia completa.

Conhecida como leucemia linfoblástica aguda de células B de linhagem mista, este subtipo de cancro do sangue tem uma taxa de sobrevivência global inferior a 50%, uma alta taxa de recidiva e uma grande probabilidade de desenvolvimento de resistência a terapias.

“As nossas experiências com animais revelaram uma combinação promissora para uma terapia direcionada que pode, um dia, fornecer um tratamento que salvará a vida de bebés, crianças pequenas, adolescentes e adultos que não têm muitas opções atualmente”, disse Markus Müschen, presidente do Departamento de Biologia de Sistemas da City of Hope e autor do estudo.

“O próximo passo é testar a nossa teoria em ensaios clínicos”, afirmou.

Publicada na revista Genes & Development, a investigação destacou o fator de transcrição BCL6, uma proteína que promove a formação de tumores e a resistência a fármacos, como um novo alvo para o tratamento da doença.

Cerca de 10% dos casos de leucemia linfoblástica aguda de células B envolvem a separação anormal e, em seguida, a transferência de partes do cromossoma no gene MLL no cromossoma 11.

“As opções de tratamento para crianças com este tipo leucemia são limitadas. A grande maioria dos bebés e recém-nascidos com leucemia têm um rearranjo de MLL, pelo que estamos muito satisfeitos que este conceito de tratamento combinado possa, eventualmente, ajudar este grupo de pacientes”.

Os cientistas analisaram dados de expressão génica de um ensaio clínico que envolveu 207 pacientes pediátricos leucemia linfoblástica aguda de células B; os dados revelaram quantidades acima do normal de proteínas BCL6 no diagnóstico da doença, recidiva mais rápida do cancro e uma redução na sobrevida global.

Ao analisar os dados de 49 pacientes desse ensaio clínico pediátrico, os investigadores verificaram que os níveis de RNA mensageiro BCL6 foram significativamente maiores em pacientes cujo cancro recidivou.

Pacientes sem rearranjos do gene MLL tinham baixos níveis de proteína BCL6; cerca de 85% deles estavam vivos, mas haviam experimentado uma recidiva 4 anos após o diagnóstico. Em contraste, apenas 37% dos pacientes com B-ALL rearranjado por MLL tiveram uma sobrevida livre de recidiva quatro anos após o diagnóstico.

Este grupo tendeu a ter altos níveis da proteína BCL6.

O desdobramento desses dados levou os investigadores a realizar experiências que envolveram amostras de pacientes e modelos de ratos; a análise descobriu que a maioria dos roedores com a doença com rearranjo em MLL tinham níveis anormais de proteína BCL6; esta proteína raramente foi encontrada em outros tipos de leucemia linfoblástica aguda de células B.

Quando o gene MLL foi introduzido nas cobaias, o resultado foi um aumento de 10 a 25 vezes nos níveis de proteína BCL6. De fato, os cientistas observaram que a proteína BCL6 e o ​​gene MLL têm uma relação simbiótica em que cada um deles ajuda o outro a existir e a se multiplicar.

Os cientistas também descobriram que a BCL6 bloqueia a função de uma proteína comummente conhecida como BIM (BCL2L11), responsável por eliminar tumores e prevenir a progressão do cancro.

Foi também observado que o peptídeo RI-BPI e a pequena molécula FX1 poderiam desbloquear este caminho para que o BIM pudesse funcionar normalmente e eliminar tumores. Outros testes mostraram que o RI-BPI e o FX1 trabalham sinergicamente com o ABT-199, uma terapia dirigida a moléculas pequenas que foi aprovada pelo regulador de saúde norte-americano (FDA) para tratar a leucemia linfocítica crónica.

“As nossas experiências mostraram que desligar a BCL6 em combinação com o uso do ABT-199 pode ser uma maneira simples e não-tóxica de superar a resistência aos medicamentos”, explicaram os cientistas.

“Conseguimos mostrar que o método funciona, pelo menos em ratos. Agora, estamos a passar esse conhecimento para cientistas de todo o mundo, para que a nossa proposta de combinação de terapia direcionada possa ser testada em testes clínicos.”

Fonte: Eurekalert

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