Neuroblastoma: descoberta nova forma de tratar e prevenir doença

É sabido que o oncogene MYCN é uma das principais causas de vários tipos de tumores sólidos, incluindo o neuroblastoma, um cancro responsável por mais mortes de crianças com menos de 5 anos do que qualquer outro.

Em até 25% dos casos de neuroblastoma, os tumores contêm um número maior de cópias de MYCN, e as crianças com esses neuroblastomas de alto risco têm um prognóstico particularmente mau.

Até agora, nenhum fármaco foi capaz de atingir diretamente o MYCN e, por isso, os cientistas têm tentado descobrir novas formas de impedir o progresso do neuroblastoma.

Sabe-se que um grupo de moléculas-alvo, conhecidas como poliaminas, é crítico para o crescimento e sobrevivência celular e está presente em altas concentrações nas células cancerígenas; no entanto, os ensaios clínicos de agentes que visam a via das poliaminas têm tido resultados dececionantes.

Mas agora, uma nova pesquisa publicada na Science Translational Medicine, pode ter descoberto um problema ainda desconhecido e crucial: uma ligação entre as poliaminas e o MYCN, que revelou que a via das poliaminas é inteiramente regulada pelo oncogene.

Ao terem descoberto esta ligação, pelo qual o MYCN controla os níveis de poliaminas nas células cancerígenas, impulsionando o crescimento e a proliferação das células do neuroblastoma, investigadores do Instituto do Cancro Infantil da Austrália podem agora ter uma nova forma terapêutica de interromper o crescimento das células cancerígenas.

Anteriormente, esta equipa tinha mostrado que um fármaco, intitulado DFMO, tinha como alvo um gene envolvido na síntese de poliaminas.

Atualmente, está a decorrer um ensaio clínico no Kids Cancer Center, no Sydney Children’s Hospital e em 14 centros de cancro infantil nos Estados Unidos, para estudar o uso de DFMO quando administrado com fármacos antineoplásicos existentes, para tratar crianças com neuroblastoma recidivante.

No presente estudo, os especialistas identificaram o gene responsável pela captação de poliaminas por células de neuroblastoma e mostraram que este gene pode ser inibido usando um medicamento chamado AMXT-1501.

Ao combinar esses dois fármacos, o DFMO e o AMXT-1501, com a quimioterapia convencional, a equipa conseguiu aumentar significativamente a sobrevida de cobaias com tumores de neuroblastoma estabelecidos, bem como prevenir a formação de tumores em animais sem o tumor, mas geneticamente propensos a desenvolver a doença.

Esta terapia de combinação recentemente descoberta está a ser testada nos Estados Unidos, em pacientes adultos com uma ampla gama de cancros, em ensaios clínicos de Fase 1 conduzidos pela empresa farmacêutica Aminex Therapeutics.

“Esta nova abordagem de tratamento justifica a investigação clínica em crianças com neuroblastoma de alto risco impulsionado por MYCN, e potencialmente outros tipos de cancro”, disseram os investigadores. ´

“Embora outras abordagens de tratamento na avaliação clínica sejam projetadas para inibir a síntese de poliamina, elas não afetam a absorção de poliaminas do microambiente. O nosso estudo sugere que tanto a síntese de poliamina quanto a captação de poliamina precisam de ser inibidas para que a terapia seja eficaz.”

“Os resultados demonstram o benefício de combinar a inibição da síntese de poliamina com o bloqueio do transporte de poliamina e sugerem que a combinação de AMXT 1501 e DFMO com a quimioterapia padrão pode ser uma estratégia de tratamento potente para pacientes com neuroblastoma de alto risco”, disse Mark Burns, autor principal do estudo.

“Estes resultados são muito estimulantes e oferecem uma maneira nova e potente de atacar os cancros infantis”, afirmou David Ziegler, oncologista pediátrico no Hospital Infantil de Sydney e líder de grupo de pesquisa no Children’s Cancer Institute, na Austrália.

“Nós já mostrámos com este estudo que a segmentação de poliaminas com um fármaco (DFMO) pode ser realizada com segurança em combinação com quimioterapia. Combinando dois medicamentos que visam a mesma via, podemos conseguir melhorar ainda mais o efeito anticancerígeno destes tratamentos. Por agora, estamos a trabalhar arduamente para desenvolver uma formulação infantil do AMXT1501 e, uma vez concluído o teste com adultos, planeamos dar início a um ensaio clínico para crianças com os cancros mais agressivos”, afirmou o oncologista.

Fonte: Eurekalert

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