Neuroblastoma: cientistas espanhóis tentam desenvolver novas terapias

Investigadores da Universidade de Sevilha e do Instituto de Biomedicina de Sevilha, em colaboração com a Universidade de Valencia, publicaram um estudo com o objetivo de desenvolver novas terapias para combater o cancro infantil.

Para a equipa de investigadores espanhóis, este projeto significa “dar um passo em frente” no estudo do cancro, pois pode abrir novos caminhos de pesquisa para ajudar a entender o que torna um tumor mais, ou menos, agressivo e de que forma esse mesmo tumor pode ser combatido.

No entanto, os cientistas ressaltam que a descoberta não significa, por si só, uma cura para o cancro.

O neuroblastoma é um tipo de cancro que se origina durante o desenvolvimento do sistema nervoso afetando, principalmente, crianças com menos de 18 meses de idade.

É o tumor sólido mais comum no início da infância e, apesar das grandes melhorias feitas na taxa de cura para outros tumores infantis, a taxa de sobrevivência para pacientes com neuroblastoma é pouco satisfatória.

Há evidências claras de que a localização do tumor e que o suporta (a matriz extracelular) desempenha um papel importante no seu crescimento inicial e desenvolvimento; esta configuração é formada por uma rede de fibras e fibrilas que, dependendo da densidade e de como estão conectadas, conferem mais ou menos rigidez a esse microambiente tumoral.

Assim, é importante entender de que forma as células tumorais estão relacionadas à matriz extracelular e de que maneira as fibras e as fibrilas estão organizadas.

Para o conseguir, os investigadores combinaram neste estudo a análise de imagens de amostras de biópsias de tumores de pacientes afetados por neuroblastoma, com novos procedimentos matemáticos (Teoria de Gráficos) que lhes permitiram descrever como as fibrilas de vitronectina são organizadas.

A conclusão deste estudo complexo é bem mais simples.

O grau de organização da vitronectina correlaciona-se com a agressividade do tumor e pode ser usado para classificar os pacientes antes de qualquer potencial tratamento.

Os resultados obtidos sugerem que a vitronectina pode alterar a rigidez da localização das células tumorais. Nos casos mais graves, a vitronectina pode guiar os neuroblastos cancerígenos, tornando possível a invasão de outros órgãos.

Ou seja, as alterações causadas pela organização específica da vitronectina podem formar “vias” que ajudariam o tumor a migrar, com os graves problemas que isso causaria.

Por esta razão, este estudo de “ciência básica” abre uma possível nova maneira de combater este cancro, que pode ser baseada na modificação da organização da vitronectina, tornando os tumores menos agressivos.

Fonte: News Medical

Comments are closed.
Newsletter