Mutações hereditárias aumentam risco de linfoma infantil

Uma investigação levada a cabo pelo St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, relacionou mutações hereditárias no gene BRCA2 com um risco aumentado de desenvolvimento de linfoma não-Hodgkin em crianças e adolescentes.

Publicado na revista JAMA Oncology, o estudo baseou-se em dados de sequenciamento do genoma inteiro recolhidos através do estudo St. Jude Lifetime Cohort (SJLIFE) e do Childhood Cancer Survivors Study, cujo objetivo é aprender mais sobre a saúde de sobreviventes adultos de cancro infantil e reduzir os efeitos tardios dos tratamentos contra esta mesma doença.

“É do conhecimento geral que a família de genes BRCA está associada ao risco de cancro da mama e do ovário, bem como a vários outros tipos de cancros em adultos, mas este estudo mostrou que existe uma relação entre o BRCA2 e o linfoma não-Hodgkin diagnosticado em crianças”, disse Zhaoming Wang, um dos principais autores do estudo.

“Esta é a segunda vez que uma mutação herdada do BRCA2 tem sido associada a um risco aumentado de qualquer cancro primário pediátrico. O BRCA2 emergiu recentemente como um importante gene de predisposição para o meduloblastoma no início da infância”, continuou.

Os investigadores analisaram 1 380 sobreviventes de linfoma, onde se incluíam indivíduos com subtipos de linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin.

A ligação entre as mutações herdadas de BRCA2 foi encontrada predominantemente com o subtipo de linfoma não-Hodgkin.

Este estudo também mostrou que os sobreviventes de cancro infantil têm um risco maior de desenvolver um cancro secundário mais tarde na vida do que a população em geral.

Além disso, os cientistas também verificaram que, quando as mutações em genes da família BRCA são herdadas, isso pode colocar os indivíduos portadores das mutações em maior risco de certos tipos de cancro.

Ao associar mutações herdadas de BRCA2 com o cancro infantil, este estudo foi capaz de aumentar o conhecimento sobre o risco de cancro hereditário para uma nova população de pacientes.

“Quanto mais soubermos sobre a biologia que conduz ao desenvolvimento de um cancro em particular, maiores serão as melhorias feitas em relação aos cuidados com os pacientes. Isso inclui a prevenção e o rastreio do cancro, nos quais uma compreensão das mutações herdadas pode ajudar a implementar estratégias para cuidar desses pacientes, e das suas famílias, a longo prazo”, referiu Leslie Robison, outra das autoras do estudo.

Os cientistas também observaram que indivíduos que haviam herdado mutações no BRCA2 e que eram sobreviventes de linfoma não-Hodgkin infantil eram todos homens. Ainda assim, mais pesquisas serão necessárias para entender esta descoberta.

Fonte: Eurekalert

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