Medicamento para leucemia mostra-se promissor no tratamento de cancro cerebral

Um fármaco utilizado para tratar a leucemia mieloide crónica mostrou ser mais eficaz no tratamento do meduloblastoma do que as terapias já existentes para este tumor cerebral pediátrico.

Realizada em ratos, a investigação foi levada a cabo pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

No estudo, publicado na revista PLOS One, a equipa de investigadores demonstrou de que forma o uso de um único medicamento – neste caso, o nilotinibe – visou especificamente células cancerígenas que possuem uma ativação anormal de um sistema de comunicação celular, chamado caminho Hedgehog, através de dois mecanismos diferentes, tornando-o mais eficaz e menos tóxico do que a combinação de fármacos existentes.

“Descobrimos uma atividade anteriormente desconhecida do nilotinibe que pode ser aproveitada para tratar uma grande fração dos casos de meduloblastoma”, disse um dos autores do estudo, Ruben Abagyan.

“Embora sejam necessárias mais pesquisas, acreditamos que este medicamento pode vir a ser usado para vários tipos de cancro que tenham uma via de sinalização celular hiperativa”.

Vários tipos de carcinoma basocelular, leucemia mieloide, rabdomiossarcoma, adenocarcinoma pancreático, glioblastoma e um terço dos casos de meduloblastoma têm um comprometimento na via de sinalização do Hedgehog – um sistema celular essencial que regula o desenvolvimento embrionário e a regeneração tecidual.

Como resultado desse comprometimento, as células cancerígenas produzem em excesso um recetor de superfície celular; malignidades com essa anormalidade são responsáveis ​​por um quarto de todas as mortes por cancro, disseram os cientistas.

“Apenas uma fração dos pacientes com este subtipo de meduloblastoma responde bem às terapias atuais que visam apenas o recetor de superfície celular”, disse Ruben Abagyan.

“Sabendo que a desregulação da via Hedgehog é importante para a manutenção das células estaminais cancerígenas e que desempenha um papel crítico em vários tipos de cancro, quisemos encontrar um único fármaco que inibisse essa via, além de várias outras atividades anticancerígenas essenciais.”

No estudo, os cientistas descobriram que ratos portadores de tumores de meduloblastoma humano tiveram um crescimento do tumor reduzido e não desenvolveram resistência a medicamentos; o nilotinibe inibiu simultaneamente o recetor de superfície celular e várias proteínas cinases críticas para o crescimento do tumor.

O nilotinibe já é uma terapia aprovada pelo regulador de saúde norte-americano (FDA) para a leucemia mieloide crónica.

Fonte: Eurekalert

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