Marcador epigenético consegue prever sobrevida

Os marcadores epigenéticos moleculares são importantes para ajudar a distinguir pacientes com leucemia infantil de alto e baixo risco de recidiva, mesmo no momento do diagnóstico.

Pode ser fundamental adaptar precocemente o tratamento a ser aplicado, para que as crianças não sejam expostas a tratamento com efeitos secundários mais graves do que o necessário.

Estas conclusões foram mostradas num estudo realizado pela Universidade de Umeå, na Suécia.

“A longo prazo, espero que estes dados possam ajudar no caminho para novos tratamentos feitos sob medida para a leucemia e os linfomas em crianças”, disse Zahra Haider, a investigadora principal.

Os tipos mais comuns de cancro em crianças, a leucemia linfoblástica aguda e o linfoma linfoblástico, são caraterizados pelo crescimento descontrolado de glóbulos brancos na medula óssea, sangue e linfonodos; mas, e graças aos métodos avançados de tratamento, a sobrevida nos últimos anos melhorou muito.

Os tratamentos de hoje, no entanto, significam uma rota eficaz, mas muito difícil, para a recuperação, pelo fato de consistirem numa combinação de fármacos tóxicas. Infelizmente, há pacientes que sofrem uma recidiva e, nesses casos, a sobrevida é muito baixa.

Ao determinar precocemente que crianças têm alto e baixo risco de recidiva, seria mais fácil adaptar a intensidade do tratamento.

O benefício seria que as crianças não precisariam de passar por tratamentos mais intensivos com efeitos secundários maiores do que o que é justificado com base no seu perfil de risco, enquanto os tratamentos mais difíceis podem ser aplicados a pacientes de alto risco.

Além disso, este subgrupo pode ser usado para identificar genes que possuem propriedades diferentes entre pacientes de alto risco e pacientes de baixo risco. Esses genes podem então ser direcionados para futuras estratégias terapêuticas.

Os investigadores da Universidade de Umeå estudaram marcadores biológicos que podem identificar pacientes que respondem de maneira diferente ao tratamento e têm diferentes riscos de recidiva.

No estudo, os investigadores mostram de que forma esse marcador, uma “assinatura epigenética”, pode ser usado para classificar pacientes em diferentes subgrupos e também para identificar genes significativos ligados aos diferentes subgrupos.

A “assinatura epigenética” é baseada num mecanismo epigenético, a metilação do ADN, que é uma modificação química; a metilação do ADN é alterada em diferentes tipos de cancro, incluindo leucemia e linfomas.

A assinatura epigenética foi usada em mais de 600 pacientes pediátricos nórdicos com leucemia linfoblástica aguda, diagnosticados entre 1992 e 2013 e foi capaz de distinguir pacientes de alto e baixo risco no momento do diagnóstico, o que ajudou a prever a sobrevida e a recidiva.

Os investigadores também puderam ver que diferentes mecanismos biológicos, incluindo a expressão de oncogenes críticos, estão ligados aos vários subgrupos epigenéticos.

Estas descobertas ressaltam a relevância das assinaturas de metilação do ADN na leucemia linfoblástica aguda e nos linfomas, e identificam novos alvos para a terapia.

Fonte: Medical Xpress

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