Leucemia: Hospital St. Jude tenta reduzir taxas de recidiva

Uma investigação realizada pelo St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, mostrou ser possível reduzir as taxas de recidiva em pacientes com leucemia linfoblástica aguda.

Apesar da eficácia das atuais terapias, cerca de 10% dos pacientes com leucemia linfoblástica aguda que são tratados nos Estados Unidos acabam por sofrer uma recidiva, o que, consequentemente, reduz a sua probabilidade de sobrevivência.

Os resultados do ensaio clínico realizado pelo St. Jude Children’s Research Hospital mostraram ser possível reduzir a taxa de recidiva no sistema nervoso central (SNC). As descobertas deste estudo, intitulado Total Therapy Study 16, foram publicadas no Journal of Clinical Oncology.

Os cientistas descobriram que, no iniciou do tratamento, a adição de doses de quimioterapia no líquido cefalorraquidiano melhorou o controlo do sistema nervoso central sem adicionar toxicidade para pacientes de alto risco.

No ensaio clínico predecessor, intitulado Total Therapy Study 15, a taxa de recidiva no sistema nervoso central para pacientes de alto risco foi de 5,7%. No Total Therapy Study 16, a taxa de recidiva no sistema nervoso central para um grupo semelhante de pacientes foi reduzida para 1,8%, a menor entre os estudos relatados.

Tal como no Total Therapy Study 15, nenhum paciente recebeu radiação craniana profilática.

“Na pesquisa do cancro, e nomeadamente do cancro infantil, as leucemias são o tipo de cancro mais estudado. O St. Jude está na vanguarda de uma nova era de tratamento oncológico, em que as terapias são otimizadas para oferecer o máximo benefício a todos os pacientes em termos de sobrevivência e qualidade de vida, mesmo aqueles com maior risco”, disse Ching-Hon Pui, presidente do Departamento de Oncologia da instituição.

A leucemia linfoblástica aguda, que afeta os glóbulos brancos, é a forma mais comum de cancro infantil. Nos EUA, 90% dos pacientes entram em remissão.

No Total Therapy Study 16, foram matriculados 598 pacientes, com idades até aos 18 anos, que haviam sido diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda entre 2007 e 2017; o ensaio clínico incluiu pacientes com todos os subtipos da doença.

“Além das recidivas, as infeções e outras complicações decorrentes o tratamento são algo que tiram o sono a qualquer oncologista do St. Jude. Até sabermos que todos os pacientes diagnosticados com esta doença irão sobreviver e viver com qualidade, não iremos parar de trabalhar”, afirmou a investigadora principal do estudo, Sima Jeha.

O próximo ensaio clínico, já denominado Total Therapy Study 17, irá continuar a estratificar os pacientes com base no risco de recidiva, mas irá introduzir novas imunoterapias moleculares e direcionadas, incluindo a terapia CAR-T.

Fonte: Eurekalert

Comments are closed.
Newsletter