Uma jovem diagnosticada com cancro, que recebeu apenas alguns meses de vida, quer devolver o dinheiro angariado para o seu tratamento e funeral, após, quase que de forma milagrosa, ter vencido o cancro.
Xsara Sanderson, hoje com 20 anos, foi diagnosticada com um linfoma de Hodgkin em estadio 4 no ano passado.
Na altura com 19 anos, Xsara foi sujeita a intensos tratamentos quimioterápicos, que a deixaram extremamente fragilizada. Como o prognóstico não era particularmente animador, a jovem decidiu que não queria ser sujeita a mais tratamentos.
Os médicos concordaram e os amigos e familiares, cientes de que Xsara não sobreviveria muito mais tempo, organizaram uma angariação de fundos online de forma a dar a Xsara o “funeral de princesa” que ela imaginaria.

Mas eis senão quando, depois de um exame feito no mês passado, Xsara foi declarada livre de cancro, algo que deixou os médicos muito confusos.
Curada, a jovem só pensa agora em devolver o dinheiro a todos aqueles que a ajudaram durante este turbulento período.
“Espero que vocês não estejam com raiva de mim por eu ter superado o cancro”, diz, bem-disposta, a sobrevivente.
O início da luta
Xsara percebeu pela primeira vez que algo não estava bem quando, num espaço de dois meses, perdeu mais de 20 kg; com dores de barriga, sensação de fadiga extrema e uma pálpebra descaída, a jovem foi ao médico, que a mandou fazer alguns exames.
No dia seguinte, chegava a notícia: Xsara tinha cancro.
“A minha mãe começou a chorar, assim como eu, mas eu só queria saber qual o tipo de cancro que tinha, porque os médicos não tinham ainda percebido se era um linfoma ou uma leucemia”, recorda.
Mas depois de alguns exames adicionais, os médicos não tinham dúvidas: Xsara tinha um de linfoma de Hodgkin em estágio 4.
“Fiquei em choque com aquela confirmação. Todos à minha volta choraram, mas eu não conseguia sentir nada”.
“Descobrir que ela tinha cancro foi devastador, ainda mais num estágio tão avançado”, disse a mãe de Xsara, Stephanie.
A jovem foi ainda diagnosticada com alguns tumores no peito, pelo que os especialistas recomendaram que ela iniciasse a quimioterapia imediatamente. Após duas rondas, grande parte desses tumores haviam desaparecido, mas restava uma grande massa, o que levou os médicos a indicarem um tratamento mais forte, algo que Xsara não aguentou.
A difícil decisão de abandonar os tratamentos
“Eu fiz o primeiro dia da quimioterapia mais forte e vomitei de forma constante. No dia seguinte, quando a minha família me veio visitar, eu disse que não queria prosseguir mais com aquele tratamento. Não conseguia. Sentia que aquilo me estava a matar. E já que teria pouco tempo de vida, ao menos queria aproveitá-la da melhor maneira possível”.
“A minha família respeitou a minha vontade, mas pediu-me para eu fazer, pelo menos, mais uma sessão. E foi o que fiz, mas voltei a não aguentar. A sensação era horrível”.
Então, no final de novembro, Xsara decidiu parar o tratamento.

“Para mim foi fácil tomar esta decisão, mas não foi fácil ver o sofrimento das outras pessoas. Muita gente chamou-me egoísta, e eu entendo o porquê, mas a vida era minha e eu não queria continuar a sofrer. Também não conseguia conceber a ideia de a minha mãe ou o meu namorado acordarem e terem-me ali, morta numa cama”, conta, emocionada, Xsara.
“Fiquei completamente arrasada quando ela me disse que ia parar com os tratamentos. Pensei que ela tinha desistido e que agora era uma questão de esperar até que a morte a levasse. Não é nada fácil sentir que a nossa filha vai morrer primeiro do que nós, porque isso não é natural”, disse Stephanie.
A família Sanderson passou o Natal junta, sem saber se aquele seria o último de Xsara. Tudo correu bem, até que a jovem desenvolveu uma infeção no peito e teve de voltar a ser internada.
A preparação do fim
Com a saúde debilitada, Xsara já só conseguia pensar no fim.
Preocupada com a sua mãe, a jovem falou com um amigo que organizou uma angariação de fundos, de forma a que Xsara tivesse o funeral que tinha vindo a imaginar ao longo dos últimos meses.
“Eu não queria que minha mãe se preocupasse com dinheiro para um funeral quando ela já estava preocupada com a morte. De certa forma, planear o meu próprio funeral foi algo muito positivo para mim. Consegui sentir controlo, algo que tinha perdido na altura do diagnóstico”, explicou Xsara.
“Fazia questão de ter música, como a Close to You dos The Carpenters ou a Your Song do Elton John. Decidi que não queria flores no caixão, porque queria ser cremada. E queria um cavalo e uma carruagem. No fundo, queria ser uma princesa”.
À espera de um milagre
Curiosamente, enquanto planeava o seu funeral, Xsara começou a sentir-se melhor.
“Voltei ao médico e pedi para fazer novos exames. Sentia-me bem e não percebia porquê. Não era suposto, era suposto estar a pouco tempo de morrer”, recorda.
Uma semana após ter feito o exame, Xsara recebeu uma notícia que voltaria a mudar o rumo da sua vida.
“Quando fomos buscar os resultados, a minha enfermeira estava lá com um sorriso enorme no rosto, e, de repente, o meu médico diz-me que não havia qualquer sinal de cancro no meu corpo. Eu estava curada”.
“O meu médico está completamente confuso e perplexo. Ele não consegue perceber o que se passou, pois a quantidade de quimioterapia a que eu fui sujeita não era a suficiente para eu me livrar desta doença”.
“Só posso acreditar que o que me salvou foi o meu pensamento positivo, porque nada mais pode explicar o desaparecimento do cancro. Claro, a quimioterapia ajudou, mas mesma assim…não há explicação”.
Reconstruir um futuro que parecia perdido
Recuperada, Xsara só pensa agora em todas as pessoas que a ajudaram.
Numa publicação feita no Facebook, a jovem pediu a todos aqueles que quisessem o seu dinheiro volta, para falarem diretamente com ela.
“O resto do dinheiro (eu sei que algumas pessoas não o querem de volta) será doado à unidade de Pediatria do Castle Hill Hospital, onde eu fiz os meus tratamentos. Não posso agradecer o suficiente por tudo o que fizeram por mim, e espero, do fundo do coração, que não fiquem chateados por eu ter sobrevivido”, completa, animada, a sobrevivente.

Xsara conta ainda que o diagnóstico de cancro lhe mudou a vida e lhe abriu horizontes.
“Eu não costumava aproveitar a vida, mas depois do diagnóstico, tudo ficou mais claro. Fiquei mais pensativa, e muito mais agradecida por tudo aquelo que a vida me deu, ao invés de me concentrar naquilo que não tenho”.
Fonte: Daily Mail