Isla, a sobrevivente que desafiou as probabilidades

Kirsty e Josh sempre quiseram ter uma menina por isso, o casal australiano, que já tinha dois filhos, ficou radiante quando Kirsty deu à luz a pequena Isla, em 2017.

Kirsty e Josh acreditavam que os seus sonhos se haviam tornado realidade, mas, com o aproximar do primeiro aniversário de Isla, o casal começou a notar pequenas mudanças comportamentais na criança.

“A Isla começou a mostrar sinais de fraqueza. Não conseguia gatinhar, estava sempre com a cabeça inclinada… havia algo que, simplesmente, não batia certo”, conta Kirsty.

Preocupada, a mãe levou a criança ao médico, onde lhe disseram para não se preocupar; mas os sintomas persistiram… Sem saber o que fazer, e depois de ter recorrido a outros médicos, que também lhe garantiram que nada de errado se passava com Isla, Kirsty começou a duvidar da sua sanidade mental.

“Foi muito, muito frustrante. Eu sabia que algo se passava, mas todos os médicos me diziam que estava tudo bem. Comecei a achar que estava louca, que eu e o meu marido estávamos a ver coisas”, recorda.

Mas, em setembro do ano passado, Kirsty levou Isla a um outro pediatra, que confirmou os seus piores receios.

“A Isla foi sujeita a uma ressonância magnética e, passado algum tempo, disseram que o médico queria falar connosco. O meu coração disparou. Quando entrámos no consultório, foi-nos dito que a nossa filha tinha um tumor na cabeça, de um tamanho considerável”.

“Os médicos explicaram-nos o tumor se tinha desenvolvido na parte de trás da cabeça de Isla, envolvendo o tronco cerebral e a medula espinhal e impedindo que o líquido espinhal chegasse ao cérebro”.

Isla foi diagnosticada com ependimoma, um tipo de cancro raro com uma taxa de sobrevivência de 50%.

Kirsty esteve sempre ao lado da sua filha. – Fonte: DR

Com apenas 1 ano de idade, Isla foi sujeita a uma cirurgia bastante complexa para remover o tumor, ou parte dele, dependendo das complicações. Ao fim de 10 horas, os médicos conseguiram remover cerca de 70% do tumor.

“Era demasiado perigoso retirar o resto. Se o fizessem, a Isla poderia ficar paralisada ou com graves danos cerebrais”.

Noutros pacientes, o passo seguinte seria a radioterapia, mas Isla era demasiado nova para ser submetida a essa terapia, segundo as leis australianas. A única opção era um ensaio clínico nos Estados Unidos, onde investigadores estavam a testar um novo tipo de radioterapia que seria capaz de atingir o tumor sem danificar o resto do tecido cerebral.

A participação de Isla no ensaio clínico foi rapidamente aprovada; com a ajuda financeira do governo, Kirsty e a sua filha mudaram-se para Jacksonville, nos Estados Unidos, durante 3 meses.

“As saudades do meu marido e dos meus filhos eram enormes. Mas não havia outra opção. Aquela era a única hipótese da minha filha”.

Quando, após 3 meses, Isla e Kirsty regressaram à Austrália, após 3 meses de tratamentos intensivos, o sentimento era de angústia pois, ainda não eram conhecidos os resultados da ressonância magnética.

Mas, felizmente, os resultados mostraram que o tumor havia encolhido significativamente.

Como o tratamento tinha funcionado, Isla pôde ser sujeita a sessões de quimioterapia, que terminaram recentemente. A criança terá agora de ser monitorizada de 3 em 3 meses, para garantir que o cancro não recidiva.

“A Isla percorreu um longo caminho. Ela já voltou a ser a mesma criança alegre e sorridente. Já gatinha, levanta-se sozinha…é tão bom ver a minha filha assim! Sabemos que existem alguns riscos, mas estamos concentrados nos aspetos positivos”.

Isla terá agora de ser monitorizada regularmente. – Fonte: DR

Muito dificilmente Isla terá memórias deste episódio, mas o cancro da sua filha fez Kirsty conhecer as dificuldades de quem enfrenta um diagnóstico de cancro infantil.

“Não é só a carga emocional que nos esmaga. Eu tive que deixar de trabalhar para cuidar da Isla, e isso deu um rombo enorme no nosso orçamento. Os pais de crianças com cancro não têm apoios financeiros suficientes. É muito complicado. Felizmente, tivemos a ajuda de muitos familiares e amigos, e hoje a nossa vida já se está a recompor… mas lidei com famílias que tinham histórias dramáticas”.

“Mas agora é levar esta vida a bom porto. O que realmente importa é que tenho a minha filha ao meu lado. Vou poder vê-la crescer, tornar-se naquilo que quiser. Isso é tudo”, diz Kirsty, com um sorriso enorme nos lábios.

Fonte: 9Honey

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