Infertilidade em sobreviventes de cancro infantil pode ser evitada

Investigadores descobriram uma maneira de produzir espermatozoides a partir de células estaminais, uma descoberta que pode vir a dar esperança a jovens rapazes sobreviventes de cancro infantil que, frequentemente, se tornam inférteis devido aos tratamentos.

Anteriormente, apenas os rapazes que tinham atingido a puberdade no momento do tratamento eram capazes de doar esperma para congelamento e uso futuro, mas esta nova pesquisa sugere que a preservação da fertilidade pode ser possível, mesmo em crianças.

“Nós nunca tivemos nenhuma opção de preservação de fertilidade para meninos que ainda não tinham passado pela puberdade. Por isso, estas descobertas são um grande primeiro passo para os nossos pacientes mais jovens”, disseram os investigadores do Hospital Infantil da Filadélfia, nos Estados Unidos.

Um em cada 530 jovens adultos nos Estados Unidos é sobrevivente de cancro infantil.

Os sobreviventes podem experimentar uma variedade de efeitos a longo prazo; questões relacionadas com a fertilidade são muito comuns, sendo que a probabilidade de infertilidade decorrente do tratamento é três vezes maior em rapazes do que em raparigas.

Pesquisas anteriores mostraram que era possível realizar um transplante de células estaminais de esperma de doadores para os testículos de ratos inférteis, restaurando a sua fertilidade. No entanto, os testículos de meninos na pré-puberdade contêm tão poucos espermatozoides imaturos que seria impossível fazer isso sem multiplicá-los no laboratório.

Investigadores esperam testar descobertas em sobreviventes

O artigo publicado na revista Nature Communications explica que os investigadores conseguiram chegar a este ponto ao isolar células específicas dos testículos chamadas de células endoteliais, que são fundamentais no apoio ao crescimento dos espermatozoides imaturos.

Os investigadores também identificaram um conjunto de 5 proteínas-chave produzidas por essas células endoteliais que são essenciais para manter as células estaminais de esperma vivas e replicantes, a longo prazo.

De seguida, os especialistas testaram este inovador método em ratos inférteis e foram capazes de restaurar a fertilidade.

Esta pesquisa inicial foi feita em ratos, não tendo ainda sido comprovada em humanos, mas os investigadores esperam conseguir iniciar um ensaio em humanos rapidamente.

“O nosso próximo passo é determinar se podemos re-injetar, ou enxertar, células estaminais produtoras de espermatozoides, em pacientes masculinos depois de eles estarem livres de cancro”, disseram.

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