Investigação leva a novas descobertas sobre neuroblastoma

De acordo com investigadores, algumas formas de neuroblastoma, um tipo de cancro do sistema nervoso diagnosticado maioritariamente em crianças, possuem células que dependem de um aminoácido para evitar as tentativas do sistema imunitário de as destruir.

Suprimir a produção desse aminoácido em ratos levou à redução do tamanho do tumor e à remissão da doença – uma técnica que pode ser usada em futuros testes em humanos.

Andrés Flórez, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e Hamed Alborzinia, do German Cancer Research Center, na Alemanha, analisaram células tumorais cultivadas de um tipo particularmente agressivo de neuroblastoma. Esta forma tem expressões anormais do gene MYCN, que faz com que as células consumam grandes quantidades de ferro.

O ferro é necessário para o crescimento e proliferação celular, mas, em excesso, pode danificar as membranas celulares e induzir a morte celular – um processo pouco explorado à qual se dá o nome de ferroptosis.

Os cientistas descobriram que essas células de neuroblastoma “escaparam” do processo com a ajuda de um aminoácido chamado cisteína.

“A cisteína protege as células de todo esse dano e, quando a retiramos das células, elas ficam extremamente sensíveis à ferroptosis. As células morreram massivamente, mas apenas as células que tinham o gene MYCN.”

Ratos tratados com dois fármacos que suprimem a produção de cisteína tiveram uma redução de 60% no crescimento do tumor em comparação com um grupo de controlo que não recebeu tratamento.

O grupo que recebeu os fármacos também não sofreu quaisquer efeitos secundários aparentes.

Ao juntar esta combinação de fármacos com uma terceira intervenção que visava um gene responsável pelo reparo da membrana celular, observou-se uma remissão completa do tumor após 14 dias em 10 dos 12 animais e reduções significativas no tamanho do tumor nos outros 2.

O neuroblastoma é um dos cancros mais comuns de resolução espontânea, um fenómeno observado principalmente em crianças com menos de 18 meses.

“Estas descobertas podem ajudar a explicar este fenómeno”, disseram os cientistas – ainda assim, mais investigações são necessárias para que esta hipótese possa ser comprovada.

Fonte: Newscientist

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