Investigação do Instituto Gulbenkian de Ciência quer descobrir origem de um dos cancros sanguíneos pediátricos mais agressivos

A investigadora Vera Martins, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), vai, ao longo de três anos, desenvolver o projeto “Leucemia linfoblástica aguda de células T: origem e recidiva”, uma investigação que pretende descobrir a origem deste que é um dos mais agressivos cancros de sangue pediátricos, destaca o jornal Observador.

“Como é que estas células, que estão a aprender a defender-nos, mudam e seguem um caminho que as leva para o lado maligno da história?”, questiona a cientista em declarações ao Observador. E a resposta a esta pergunta é precisamente a que quer dar com este projeto de investigação.

Este tipo de cancro sanguíneo normalmente é agressivo. A leucemia linfoblástica aguda é dos mais prevalentes em idade pediátrica. O prognóstico das crianças atingidas é, atualmente, incomparavelmente melhor com o dos anos 80. Há quarenta anos, a maioria não sobrevivia à doença, mas, hoje, os números inverteram-se: 80 a 90% das crianças sobrevive.

Contudo, estes números significam que uma ou duas crianças em cada dez doentes não resistem à patologia, por isso, a investigadora está a trabalhar para que o conhecimento gerado permita evitar que, nos casos de leucemia linfoblástica aguda de células T (LLA-T) haja crianças que ficam do lado errado da percentagem. “Um cancro em idade pediátrica já é um choque, que uma criança morra de cancro é quase inaceitável”, afirma Vera Martins, citada pelo Observador.

Saber em que momento é que células treinadas para ser defensoras do organismo se começam a transformar em células doentes é o que a investigadora procura descobrir com este projeto.

Ao perceber o “como”, poderá também ser possível identificar dois tipos de biomarcadores: um que permita identificar as crianças que têm mais hipótese de ter uma recidiva após a cura, outro que vá ainda mais longe e permita saber que crianças podem vir a desenvolver a doença, acredita Vera Martins. 

O projeto de investigação é desenvolvido no Instituto Gulbenkian de Ciência, em colaboração com Klaus-Michael Debatin, do Ulm University Medical Center, na Alemanha. Este investigador tem muitos anos de experiência em leucemia linfoblástica aguda e o hospital é um centro de referência em hematologia, o que permitirá acesso a amostras humanas em quantidade suficiente. Conta ainda com a colaboração de outros cientistas europeus.

O projeto “Leucemia linfoblástica aguda de células T: Origem e recidiva” (em inglês “T CellAcuteLymphoblasticLeukemia: Origin & Relapse”), liderado por Vera Martins, do IGC, foi um dos 33 selecionados (13 em Portugal) – entre 546 candidaturas – para financiamento pela Fundação “la Caixa”, sediada em Barcelona, ao abrigo da edição de 2022 do Concurso CaixaResearch de Investigação em Saúde. A investigadora recebeu 682 mil euros para desenvolver o projeto ao longo de três anos.

Fonte: Observador/Fotografia: Gonçalo Villaverde/Observador/DR

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